A Revolução dentro da Igreja

SERMÃO DE PADRE CAMPBELL SOBRE O JOIO E O TRIGO, 25º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES, 10 NOV 2013

A parábola que Jesus nos conta hoje sobre a má semente que cresce lado a lado com a boa não nos surpreende, porque sabemos muito bem que, neste mundo, há bons e maus. Mas, se olhamos com atenção, veremos que Jesus não está falando do mundo, mas da Igreja. Dentro do campo da própria Igreja, o demônio plantou sua semente, da qual Judas é o protótipo: “E durante a Ceia, o demônio… já tinha posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a determinação de o trair…” (João 13.2).

Com certeza, Nosso Senhor não se refere apenas aos tempos apostólicos, mas à Igreja de todos os tempos, até o dia da colheita. Se essas “ervas daninhas” ainda não foram juntadas em feixes para serem lançadas ao fogo, isso significa que elas ainda estão entre nós, armando seus esquemas malignos para enredar o inocente e provocar revolução.

“Mas como é, então, que a má semente foi plantada?” Existe uma revolução dentro da Igreja. Uma revolução é a completa subversão da ordem anterior e o estabelecimento de uma nova. Tal foi a Revolução Francesa de 1789, que derrubou a monarquia e a Igreja em França, executando o rei e a rainha inocentes, milhares de bispos, padres e religiosos e centenas de milhares de cidadãos franceses inocentes. A Revolução foi, em última análise, obra da Maçonaria, que já tinha sido condenada pela Igreja meio século antes.

Os revolucionários nunca tiveram a intenção de parar por aí. Um padre apóstata chamado Canon Roca já falava no fim do século XIX:

A liturgia, o cerimonial, o ritual e a disciplina da Igreja Romana vão rapidamente sofrer transformações num Concílio Ecumênico… o Papado vai cair; morrerá sob a bendita faca que os Padres do último Concílio vão forjar. O César Papal é a hóstia (vítima) coroada para o sacrifício.

(Bispo Rudolph Graber, Athanasius and the Church of Our Time, p. 35).

Um proeminente maçom francês (Yves Marsaudon, Ecumenism as Seen by a Traditional Freemason, escreveu que a partir de 1908: “o objetivo não é mais a destruição da Igreja, mas em vez disso, fazer uso dela através de infiltração.” (Bispo Graber, p. 38-39).

Este já tinha sido o plano de sociedades secretas maçônicas por gerações. Eles pretendiam armar laços para o clero nas sacristias, seminários e mosteiros, fazendo-lhes seguir “uma revolução de tiara e casula”, pensando que seguiam a bandeira das Chaves Apostólicas (Permanent Instruction of the Alta Vendita).

A Maçonaria sendo a “mãe” [da Revolução], como o Papa Pio XII a chamou, o Comunismo foi o “rebento” daquilo que aconteceu em França. No ano de 1936 foram dadas ordens do Partido Comunista em Moscou para que jovens fossem secretamente preparados para entrar em seminários e mosteiros a fim de serem ordenados ao sacerdócio. Manning Johnson, um antigo oficial do Partido Comunista dos Estados Unidos, deu o seguinte testemunho em 1953 no Comitê de Atividades Antiamericanas (HUAC):

Os líderes comunistas nos Estados Unidos perceberam que a tática de infiltração em seu país teria de se adaptar às realidades americanas… Nas primeiras etapas determinou-se que, com um reduzido número disponível, seria necessário concentrar agentes comunistas nos seminários. A conclusão prática tirada pelos líderes vermelhos foi que essas instituições permitiriam a uma pequena minoria comunista influenciar a ideologia do futuro clero em caminhos que conduziriam aos interesses comunistas… Essa política de infiltração em seminários foi bem-sucedida, superando nossas expectativas.

A sra. Bella Dodd, também ela um membro proeminente do Partido Comunista, convertida ao Catolicismo em 1952, passou a revelar as táticas do partido: “Nos anos 30, colocamos onze mil homens no sacerdócio para destruir a Igreja desde dentro…  Agora mesmo eles estão ocupando as mais altas posições na Igreja.” Ela disse que no futuro “vocês não reconhecerão a Igreja Católica”. Isso foi dito uma dúzia de anos antes do Vaticano II.

“A ideia geral”, de acordo com alguém que presenciou uma das conversas de sra. Dodd (Ir. Joseph Natale), “era destruir não a instituição da Igreja como tal, mas a fé do povo, e mesmo usar a instituição, se fosse possível, para destruir a fé pela promoção de uma pseudo-religião: algo que lembrasse o catolicismo, mas que não o fosse de fato. Uma vez que a fé tinha sido destruída, ela explicou que introduziriam um complexo de culpa dentro da Igreja… para rotular a ‘Igreja do passado’ como opressora, autoritária, cheia de preconceitos, arrogante ao proclamar-se a única detentora da verdade e responsável pelas divisões de grupos religiosos através dos séculos. Isso seria necessário para envolver os líderes da Igreja numa ‘abertura ao mundo’, numa atitude mais flexível perante religiões e filosofias. Os comunistas, então, explorariam essa abertura a fim de gradualmente destruir a Igreja.”

Nós não temos sido testemunhas de tudo isso? O joio plantado, bispos e cardeais maçons e/ou comunistas foram para Roma em 1961 para a abertura do Vaticano II, lá eles uniram forças na luta pelo controle do que havia sido preparado por verdadeiros bispos e cardeais, levando a efeito seu programa de destruição da fé do povo. Leon Joseph Cardeal Suenens declarou que o Vaticano II foi 1789 (a Revolução Francesa) dentro da Igreja. Depois do Concílio, a loja maçônica O Grande Oriente de França descreveu-o como uma “gigantesca revolução no interior da Igreja”, chamando-lhe de “um prelúdio para a vitória” (Bispo Graber, p. 71).

Os padres, os bispos e o próprio Papado foram as primeiras vítimas dessa Revolução. O desastroso fracasso deles, porém, foi predito na Sagrada Escritura e conhecido pelos primeiros cristãos. O grande Cardeal Manning (1808-1892), escrevendo sobre os ensinamentos dos Padres da Igreja Primitiva, predisse:

Roma deverá apostatar da fé, afastar o Vigário de Cristo e retornar a seu antigo paganismo… Então, a Igreja será dispersada, conduzida ao deserto, e será por um tempo, assim como no princípio, invisível, estando em catacumbas, cavernas, montanhas, esconderijos; será como que varrida da face da terra. Tal é o testemunho universal dos Padres da Igreja Primitiva.

(Henry Edward Cardinal Manning, The Present Crisis of the Holy See, 1861, London: Burns and Lambert, pp. 88-90).

Podemos achar alguma consolação no fato de que a “igreja” que vemos a beira da ruína hoje em dia não é a Igreja Católica, mas a falsa Igreja Maçônica. Nossa maior defesa contra o demônio e sua falsa Igreja é o Santo Sacrifício da Missa. Mas nós também temos o Santo Rosário pelo qual Nossa Senhora se torna “mais temível que um exército em ordem de batalha”. Que Ela, pelo poder de Deus, com São Miguel e todos os Santos Anjos e por nossas orações, vença esta batalha!


CHRIST OR CHAOS. Father Louis J. Campbell on The Wheat and the Cockle. Acesso em: 7 set 2017.

2 comentários em “A Revolução dentro da Igreja

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