Traindo Cristo Crucificado: A Nova Oração de Sexta-Feira Santa pelos judeus

Por Novus Ordo Watch.

Cristo crucificado

A Santa Igreja Católica Apostólica Romana, em sua bondade e zelo maternal, tendo recebido do Filho de Deus a missão de pregar o Evangelho e converter todos os homens à verdadeira Fé (cf. Mc 16, 15-16), deseja ardentemente a salvação de todos os povos. Sabendo que o homem não foi feito para este mundo, mas para a felicidade eterna no Céu, ela procura tirá-lo do estado de pecado em que ele se encontra e erguê-lo para a vida da Fé e da virtude através da graça merecida por Nosso Senhor Jesus Cristo, que declarou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14, 6).

Infelizmente, até hoje os judeus não reconhecem Nosso Senhor Jesus Cristo, o próprio Messias que veio para redimi-los, para o qual todos os profetas do Velho Testamento apontaram, e cuja própria Paixão foi predita em tantos lugares de maneira tão bela e, de forma mais marcante pelo profeta Isaías e também pelo Livro da Sabedoria, onde lemos:

Façamos pois cair o justo nos nossos laços, porquanto nos é inútil, e é contrário às nossas obras, e nos lança em rosto as transgressões da lei, e contra a nossa reputação publica as faltas do nosso procedimento. Ele assegura que tem a ciência de Deus, e se chama a si de filho de Deus. Tem-se-nos feito o censor de nossos pensamentos. Ainda só vê-lo nos é insuportável, porque a sua vida é dissemelhante à dos outros, e seus caminhos são bem diferentes.

Somos avaliados por ele como pessoas vãs, e se abstém dos nossos caminhos como imundícies, e prefere os novíssimos dos justos, e se gloria que tem Deus por pai. Vejamos pois se seus discursos são verdadeiros, e tentemos o que lhe há de vir, e saberemos qual será o seu fim. Porque, se é verdadeiro filho de Deus, ele o amparará e o livrará das mãos dos contrários. Façamos-lhe perguntas por meio de ultrajes e tormentos, para que saibamos o seu acatamento e provemos a sua paciência. Condenemo-lo a uma morte a mais infame, porque segundo as suas palavras haverá dele consideração.

Estas coisas pensaram, e nelas erraram, porque a sua malícia os cegou. E não souberam os segredos de Deus, nem esperaram retribuição de justiça, nem fizeram conceito da honra das almas santas. Porquanto Deus criou o homem inexterminável, e o fez à imagem da sua semelhança. Mas por inveja do diabo entrou no undo a morte; E a ele imitam os que são do seu partido.

Sabedoria 2, 12-25.

Na sua Primeira Carta aos Coríntios, São Paulo Apóstolo, ele mesmo um convertido do judaísmo, disse: “Mas nós pregamos a Cristo crucificado que é um escândalo, de fato, para os judeus, e uma estultícia para os gregos. Mas para os que têm sido chamados, assim judeus como gregos, pregamos a Cristo, virtude de Deus e sabedoria de Deus.” (1Cor 1, 23-24).

Nosso Divino Senhor mesmo enfatizou que sua vinda era, em primeiro lugar, para os judeus, uma vez que eles foram escolhidos por Deus como o povo ao qual ele confiou a sua lei, sua doutrina e suas profecias: “Eu não fui enviado senão às ovelhas que pereceram da casa de Israel” (Mt 15, 24; cf. Jo 4, 22). Ele lamentou muito o fato de seu próprio povo tê-lo negado: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes quis eu ajuntar teus filhos, do modo que uma galinha recolhe debaixo das asas os seus pintinhos, e tu o não quiseste!” (Mt 23, 37).

Com a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Santa Ressurreição, a Antiga Aliança chegou ao fim, porque sua missão, seu propósito, foi cumprido e a Nova Aliança foi então estabelecida no sangue de Cristo. Isso foi representado de forma impressionante pelo rasgo do véu do templo quando Cristo suspirou pela última vez sobre a Cruz: “E Jesus, tornando a dar outro grande brado, rendeu o espírito. E eis que se rasgou o véu do templo em duas partes de alto a baixo; e tremeu a terra, e partiram-se as pedras.” (Mt 27, 50-51). São Paulo mui claramente afirmou que com a introdução da Nova Aliança, a Antiga Aliança terminou: “a qual foi por Cristo abolida” (2 Cor 3, 14); “tira a primeira para estabelecer a segunda” (Heb 10, 9).

The temple veil is rent asunder

O Concílio de Florença reiterou essa doutrina com suas próprias palavras:

A Igreja crê firmemente, professa e ensina que as prescrições legais do Antigo Testamento, isto é, a Lei mosaica, que se dividem em cerimônias, sacrifícios sagrados e sacramentos, mesmo porque instituídos para significar algo futuro, ainda que adequadas ao culto divino daquela época, com a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, por elas significado, cessaram, e que tomaram início os sacramentos do Novo Testamento. Ela ensina que peca mortalmente todo aquele que voltar a pôr, depois da paixão de Cristo, sua esperança naquelas prescrições legais e as observa como se fosse necessárias à salvação e a fé no Cristo não pudesse salvar sem elas. A Igreja não nega, todavia que, no tempo entre a paixão de Cristo e a promulgação do Evangelho, elas pudessem ser observadas, mesmo que não fossem julgadas necessárias à salvação; depois do anúncio do Evangelho, porém, não podem mais ser observadas sem a perda da salvação eterna. Todos, portanto, que depois disso observam os tempos de circuncisão, do sábado e de outras disposições da lei, ela os denuncia como estranhos à fé em Cristo, não podendo de todo participar da salvação eterna.

(Concílio de Florença Decreto Cantate Domino; Denz 712, grifo nosso.)

A doutrina católica nesse respeito não é difícil de entender: Cristo estabeleceu a Nova Aliança para cumprir a Antiga; em virtude disso, a Antiga Aliança cessou de existir e agora a salvação somente pode ser alcançada na Nova Aliança por Cristo.

Por essa mesma razão, a Santa Mãe Igreja oferece, na Sexta-Feira Santa, uma solene oração pública pela conversão de todos os não católicos à verdadeira Fé. Elas não incluem somente os hereges e cismáticos, mas também os judeus e pagãos.

Mesmo pessoas não católicas que discordam da Igreja podem, contudo, perceber com facilidade que faz perfeito sentido para uma instituição, que proclama a si mesma como única Arca de Salvação, fazer orações públicas pela conversão de todos aqueles que ainda não são seus membros.

Na seita do Vaticano II, porém, as coisas são um pouquinho diferentes.

Desde o “Papa” João XXIII e seu Concílio Vaticano II, a instituição disfarçada de Igreja Católica abraçou um diferente evangelho, segundo o qual os judeus de nossos dias – ou seja, os membros do judaísmo apóstata – estão pelo menos de facto isentos da obrigação de se converter a Cristo e sua Igreja e, em vez disso, podem procurar a salvação na sua própria aliança com Deus.

Esta nova doutrina, esta heresia, encontra-se não só nos vários documentos da seita Novus Ordo, mas também, e de modo mais importante, nas práticas da Nova Igreja com relação aos judeus. Isto se vê claramente pelo fato da oração católica pela conversão dos judeus ter sido substituída por uma oração que pede para Deus abençoá-los de modo que eles possam continuar fielmente (sic) em seu caminho.

Vejamos como a Oração Católica de Sexta-Feira Santa pela conversão dos judeus difere da oração Novus Ordo:

ORAÇÃO CATÓLICA (antes do Vaticano II)

Oremos também pelos incrédulos judeus a fim de que o Senhor possa remover de seus corações o véu da descrença; e que possam chegar ao conhecimento de Jesus Cristo Nosso Senhor.

Oremos:

Deus eterno e onipotente, que não afastastes de vossa misericórdia nem mesmo os incrédulos judeus, escutai as orações que oferecemos pela cegueira daquele povo; que reconhecendo a luz da vossa verdade, que é Cristo, eles possam ser libertos das trevas. Pelo mesmo Jesus Cristo, vosso Filho e nosso Senhor, que vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo pelos séculos dos séculos.

Amém.

Eis uma bela e caridosa petição ao Deus Onipotente – que os judeus, que até agora falharam em reconhecer seu Salvador, possam reconhecê-lo pela graça de Deus a fim de se tornaram partícipes da vida eterna. Por que alguém mudaria isso?

Vejamos agora a oração Novus Ordo:

ORAÇÃO NOVUS ORDO (depois do Vaticano II)

Oremos pelo povo judeu, para que Deus nosso Senhor, que falou aos seus pais pelos antigos Profetas, o faça progredir no amor do seu nome e na fidelidade à sua aliança.

Oremos:

Deus eterno e onipotente, que confiastes as vossas promessas a Abraão e à sua descendência, atendei com bondade as preces da vossa Igreja, para que o povo da primeira aliança alcance a plenitude da redenção. Por Cristo Senhor nosso.

(Fonte)

O contraste é imenso. Esta oração Novus Ordo falsificou completamente a compreensão católica da Antiga e da Nova Aliança e distorceu a posição do judaísmo apóstata. Os “incrédulos judeus” (perfidis Jedaeis) não são mais representados como carentes da verdadeira Fé, a única que poderia fazê-los participar da redenção e vida eterna (cf. Jo 8, 24; Heb 11, 6). Em vez disso, eles são apresentados como aquele povo onde Deus primeiro revelou a si mesmo, que embora correta do ponto de vista carnal-histórico (os judeus de hoje descendem de Abraão segundo a carne), não é verdadeira do ponto de vista mais importante, isto é, na perspectiva espiritual-teológica (os judeus de hoje não são sucessores espirituais de Abraão e do povo do Antigo Testamento).

São João Batista alertou os judeus de seu tempo que não considerassem a si mesmos no caminho da salvação simplesmente por serem as sementes da Abraão: “Fazei portanto frutos dignos de penitência, e não comeceis a dizer: Nós temos por pai a Abraão. Porque eu vos declaro que poderoso é Deus para fazer que destas pedras nasçam filhos a Abraão.” (Lc 3, 8). E Nosso Senhor mesmo acrescentou: “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita.” (Jo 6, 64).

É, portanto, terrivelmente equivocado apresentar os judeus de hoje como se seu status carnal como descendentes de Abraão lhes concedesse qualquer tipo de vantagem espiritual. São Paulo o sublinha em sua Carta aos Romanos fazendo uma analogia com a oliveira: “Os ramos foram quebrados… por sua incredulidade foram quebrados” (Rom 11, 19-20). E ele acrescenta o aviso de que assim como os judeus “foram quebrados”, assim também serão os gentios se eles não permanecerem na graça santificante: “de outra maneira também tu serás cortado” (v. 22).

Mas a oração Novus Ordo pelos judeus não acabou ainda. Ela procede para expressar inequívoca heresia, pedindo a Deus que permita aos judeus de hoje “progredir… na fidelidade à sua aliança.”

Qual aliança? Não há aliança entre Deus e os judeus de hoje perante a qual eles poderiam provavelmente ser fiéis, tampouco progredir nela. Mas esta oração modernista implica o oposto: que os judeus têm uma aliança, que eles já são fiéis numa certa medida (talvez por “elementos” de fidelidade?) e que os católicos meramente rezam para que cresçam em fidelidade.

Mas as coisas são realmente assim? Absolutamente não.

Esse caso mostra a diferença de teologia entre a Igreja Católica e a seita Novus Ordo. Certamente, se você for ao “apologista conservador” Novus Ordo, ele irá dizer que você deve simplesmente “entender” a oração de maneira “correta”. A interpretação correta – assim ele dirá – é que rezamos para que os judeus, que acreditam estar ainda na Antiga Aliança, simplesmente se tornem verdadeiramente fiéis a ela, pois essa é a mesma Aliança que aponta para Cristo como seu cumprimento, logo é sendo verdadeiramente fiéis à Antiga que eles perceberão a validade da Nova. Portanto, eles argumentam, não há, de fato, diferença entre a antiga e a nova oração de Sexta-Feira Santa pelos judeus.

Brilhante! Mas isso não tem nada a ver com a realidade.

Primeiro, se não existe diferença entre a antiga e a nova oração, por que é que os judeus tem vigorosamente condenado a oração católica tradicional, mas não condenam a oração modernista? Veja o seguinte link para verificar a realidade:

Segundo, se os judeus não possuem atualmente uma aliança com Deus, objetivamente falando e sem considerar que eles “acreditem” ter uma, como podemos pedir a Deus que eles progridam na fidelidade de uma aliança não existente? Não terá efeito dizer que eles possuem uma aliança com Deus “num certo sentido”, mas não em outro. Porque ou você possui uma aliança com Deus ou não, não é possível tê-la de dois modos.

Terceiro, como é que fomos de “incrédulos” judeus para judeus sendo “fiéis”? Esses dois termos são contraditórios, o que significa que eles não podem ser simultaneamente verdadeiros. Os judeus são ou não são fiéis aos ensinamentos e à revelação divina?

Quarto, se a oração Novus Ordo de Sexta-Feira Santa é assim tão católica e tão tradicional, como pode ser que na seita Novus Ordo não há missão para os judeus? Porque é que ninguém no Vaticano jannais busca converter judeus? De fato, o próprio conselheiro de Francisco sobre judaísmo, o alemão Gregor Maria Hoff, afirmou-o explicitamente: “A Igreja Católica não tem missão para os judeus” (fonte).

Em 2006, “Papa” Bento XVI afirmou que os judeus são abençoados com “o favor do Deus da Aliança” (a propósito, qual aliança?) e que eles, juntamente com os cristãos, têm a missão de “passar a tocha dos Dez Mandamentos e da esperança às novas gerações” (fonte). Esperança? Qual esperança o judaísmo oferece? A virtude sobrenatural da esperança é encontrada somente na Verdadeira Religião, que é a Igreja Católica. Não há esperança nas falsas religiões (cf. Papa Pio IX, Syllabus de Erros, n. 17). Foi por isso que Deus revelou a si mesmo na Verdadeira Religião, primeiro na Antiga e finalmente na Nova Aliança.

Acima de tudo, devemos considerar também a questão de por que a oração de Sexta-Feira Santa pelos judeus foi mudada. A resposta é porque ela precisava ficar alinhada com a Nova Teologia (= Nova Religião) do Vaticano II. Em sua declaração Nostra Aetate, o Concílio modernista afirmou que “nem por isso os judeus devem ser apresentados como reprovados por Deus e malditos, como se tal coisa se concluísse da Sagrada Escritura.” (Vaticano II, Nostra Aetate, n. 4).

Não foram reprovados por Deus? Realmente? “Por isso é que eu vos declaro que tirado vos será o reino de Deus, e será dado a um povo que faça os frutos dele.” (Mt 21, 43); “… por sua incredulidade foram quebrados… Porque se Deus não perdoou aos ramos naturais, deves tu temer que ele te não perdoe a ti. Considera pois a bondade, e a severidade de Deus; a severidade por certo para com aqueles que caíram; e a bondade de Deus para contigo, se permaneceres na bondade; de outra maneira tu também serás cortado.” (Rom 11, 20-22). Então, sim, isso realmente não se segue da Sagrada Escritura.

No que compete ao serem malditos, aparentemente o Vaticano II se esqueceu que a raça humana mesma foi uma raça maldita desde que o pecado entrou no mundo (cf. Gen 3, 18; Rom 5, 12) e que a única maneira de livrar-se desse predicamento é pela redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo na Nova Aliança. E que esta é uma doutrina elementar!

Provas adicionais da Sagrada Escritura e da doutrina católica sobre a rejeição dos judeus como povo de Deus podem ser encontradas nos seguintes posts:

Finalmente, resta dizer que não só não há qualquer missão na igreja Novus Ordo, ela mesmoa inclui suas relações inter-religiosas com os judeus como parte de seu assim-chamado Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos (!):

Relações com os judeus

A 22 de outubro de 1974, o Papa Paulo VI estabeleceu a Comissão para Relações Religiosas com os Judeus como um escritório distinto, porém intimamente ligado ao CPPUC [Conselho Pontifício para Promoção da Unidade dos Cristãos]. De fato, o Cardeal Prefeito do CPPUC preside essa Comissão; o Secretário do CPPUC é similarmente seu Vice-Presidente. Um Secretário Executivo de período integral mantém as atividades diárias da Comissão. A fim de implementar as diretrizes do Concílio Vaticano II, a Comissão publicou Diretrizes e Sugestões para a implementação da Declaração Conciliar “Nostra Aetate” n. 4 (1974) e Notas sobre a maneira correta de apresentar os judeus e o judaísmo na pregação e catequese na Igreja Católica Romana (1985).

(“O Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos”, em Vatican.va).

Assim, para a Igreja do Vaticano II, cooperação inter-religiosa com os judeus de alguma maneira se relaciona com a “promoção da unidade dos cristãos”.

Tudo isso está em flagrante contraste com o que a Igreja ensinou antes do Vaticano II, que não é nada mais do que a autêntica e verdadeira Igreja Católica Apostólica Romana, a qual não pode mudar em sua essência e que, sendo a Esposa de Cristo infalível, indefectível e sem mancha, não pode fracassar em sua missão essencial que é levar todos a Cristo por meio dela, pois ela é o seu Corpo Místico:

…Cristo Nosso Senhor instituiu a sua Igreja como uma sociedade perfeita de natureza externa e perceptível pelos sentidos, a qual, nos tempos futuros, prosseguiria a obra da reparação do gênero humano pela regência de uma só cabeça, pelo magistério de uma voz viva e pela dispensação dos sacramentos, fontes da graça celeste…

Esta Igreja, fundada de modo tão admirável, não poderia, ao serem retirados o seu Fundador e os Apóstolos que por primeiro a propagaram, cessar de existir e ser extinta, uma vez que Ela era aquela a quem, sem nenhuma discriminação quanto a lugares e tempos, fora dada o preceito de conduzir todos os homens à salvação eterna: “Ide, pois, ensinai a todos os povos” (Mt 28,19).

Acaso faltaria à Igreja algo quanto à virtude e eficácia no cumprimento perene desse múnus, quando o próprio Cristo solenemente prometeu estar sempre com ela: “Eis que Eu estou convosco, todos os dias, até a consumação dos séculos”? (Mt 28,20) Deste modo, a Igreja de Cristo não só exista hoje como sempre, mas é também exatamente a mesma que existiu à época dos Apóstolos. A não ser que desejemos afirmar que Cristo não poderia cumprir sua promessa, ou que errou ao afirmar que as portas do inferno não prevaleceriam contra Ela (Mt 16,18).

(Papa Pio XI, Encíclica Mortalium Animos, n. 6; grifo nosso.)

Afirmar que a Igreja Católica abandonou sua missão seria equivalente a dizer que Cristo mentiu ou errou em sua divina promessa, ambas as coisas são impossíveis.

Considere também os seguintes trechos dos Papas Pio IX, Leão XIII, e Pio XII sobre esse mesmo ponto (todos os grifos são nossos):

[A] religião mesma jamais pode vacilar ou cair enquanto esta Cátedra permanecer intacta, a Cátedra que está erguida sobre a rocha que as orgulhosas portas do inferno não podem vencer e na qual existe a solidez integral e perfeita da religião cristã.

(Papa Pio IX, Encíclica Inter Multiplices, n. 7)

O Espírito Santo, que é espírito da verdade, pois procede do Pai, Verdade eterna, e do Filho, Verdade substancial, recebe de um e outro, juntamente com a essência, toda a verdade que logo comunica à Igreja, assistindo-a para que não erre jamais, e fecundando os germes da revelação até que, no momento oportuno, cheguem à maturidade para a saúde dos povos. E como a Igreja, que é meio de salvação, há de durar até a consumação dos séculos, precisamente o Espírito Santo a alimenta e acrescenta em sua vida e em sua virtude: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco”. (Jo 14, 16.17)

(Papa Leão XIII, Encíclica Divinum Illud, n. 5)

A Mãe Igreja Católica Romana, que tem permanecido fiel à constituição recebida do seu Divino Fundador, que ainda permanece firme hoje na solidez da rocha sobre a qual ela foi edificada, possui no primado de Pedro e de seus legítimos sucessores a segurança, garantida pelas promessas divinas, de guardar e transmitir inviolável e integralmente, através dos séculos e milênios até o fim dos tempos, a inteira soma da verdade e da graça contida na missão redentora de Cristo.

(Papa Pio XII, Alocução ao Consistório, 2 de Junho de 1944)

Claramente, a Igreja não pode fracassar em sua missão divina; ela também não pode de repente – quer por acidente ou de forma deliberada – inverter o curso e abandonar o dever dado por Deus de evangelizar e buscar a conversão e salvação de todos os seres humanos pelo mundo até o fim dos tempos.

Mesmo a própria seita Novus Ordo admite que a missão essencial da Igreja Católica é evangelizar e converter todos os que ainda não são seus membros: “a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da
Igreja… Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a
sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar…” (“Papa” Paulo VI, “Exortação Apostólica” Evangelii Nuntiandi, n. 14; grifo nosso).

Mas se a tarefa essencial da Igreja é conduzir todos os homens a Cristo mediante a conversão de todos para uma vida de graça nela, seu Corpo Místico, então isso obviamente inclui os judeus também, aqueles que foram “quebrados” por causa da sua rejeição de Cristo (cf. Rm 11, 19). Este é o motivo pelo qual os católicos rezam também pela conversão dos judeus em particular, não só na liturgia de Sexta-Feira Santa, mas também no belo Ato de Consagração da Raça Humana ao Sagrado Coração de Jesus: “Voltai os vossos olhos de misericórdia para os filhos da raça que outrora fora vosso povo eleito, no passado eles pediram para que descesse sobre eles o Sangue do Salvador; que agora desça sobre eles o manancial da redenção e de vida.” (fonte).

Negar-lhes a maior das graças, manter longe deles a Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo e fingir que eles não precisam abandonar a sua falsa religião, a sua aliança inexistente com Deus, é o maior deserviço que alguém poderia prestar ao povo judeu, por quem nosso Senhor morreu também, a quem ele amorosamente deseja salvar (cf. Mc 4, 21; 1 Tm 2, 4) e cuja eventual conversão a Cristo foi profetizada por São Paulo (cf. Rom 11, 25-32).

E assim constatamos mais uma vez o patente contraste entre a Igreja Católica, Esposa fiel de Cristo, e a seita modernista do Vaticano II, a prostituta infiel. A última substituiu a oração católica pela conversão dos judeus por uma petição herética para fazê-los progredir na sua suposta “fé” e “aliança com Deus”. Procedendo assim, sucumbiu ao politicamente correto de nosso tempo, que trata toda oposição à religião judaica como um imperdoável insulto à raça judaica.

Nessa matéria, podemos aplicar à falsa igreja modernista de nossa época as palavras de São João Evangelista de dois mil anos atrás: “Ninguém contudo ousava falar dele em público, por medo dos judeus.” (Jo 7, 13).

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