O Argumento do Papa Mau

Mas não houveram sempre Papas maus?

A tripla coroa

O ARGUMENTO DO PAPA MAU

Uma objeção muito comum quando se discute sobre sedevacantismo com aquelas desafortunadas almas que ainda acreditam que Jorge Bergoglio (“Francisco”) é o Papa da Igreja Católica é a seguinte: “Mas sempre houveram Papas maus!”. Essas pessoas nos levam a crer que elas não estão acostumadas ou são incapazes de distinguir católicos imorais de hereges.

Francisco não é um mau católico. Ele é um não católico. Eis o xis da questão. Logo, afirmar que houveram maus Papas no passado, alegando que mesmo assim eles foram Papas válidos, constitui um assunto totalmente diferente. Um homem que professa a Fé Católica toda e inteira, não importa quão perverso ele seja, permanece um membro da Igreja Católica. Mesmo que ele odeie a Deus, mesmo que ele seja um assassino ou um sodomita.

Deus o proíba, certamente! Uma tal pessoa, se ela não se arrepender em tempo, terá de padecer por uma eternidade no inferno. A sua pertença a Igreja não vai lhe ter adiantado de nada; sua fé, inteiramente morta pela falta de caridade, não vai salvá-la. O seu conhecimento da verdadeira fé somente vai aumentar a sua miséria no inferno, pois ela terá pecado com pleno conhecimento da perversidade de suas obras.

Sim, tudo isso é verdade. Mas tal pessoa, se fosse eleita ao papado, ainda seria um papa válido, porque o que impede alguém de ser validamente eleito ao papado não é a santidade, mas a profissão de heresia (entre outras coisas). Em outras palavras, o que o impede de ser um papa válido não é o cometimento de pecados contra a moral – senão ninguém poderia ser eleito, aliás, desde que somos todos pecadores -, e aqui não importam quantos pecados ou quão graves eles sejam, mas só o impede o cometimento de pecados contra a Fé.

Este é um ensinamento católico e não há controvérsias quanto a ele. O Papa Pio XII explicou-o melhor quando o ensinou em sua autoritativa encíclica sobre a Igreja:

Como membros da Igreja contam-se realmente só aqueles que receberam o batismo e professam a verdadeira fé, nem se separaram voluntariamente do organismo do corpo, ou não foram dele cortados pela legítima autoridade em razão de culpas gravíssimas…

Não se deve, porém, julgar que o corpo da Igreja, por levar o nome de Cristo, já se constitui durante o tempo de sua peregrinação terrestre só de membros notáveis por sua santidade, ou só dos que de fato são por Deus predestinados à sempiterna felicidade. Por sua infinita misericórdia o Salvador não recusa lugar no seu Corpo Místico àqueles a quem o não recusou outrora no banquete (Mt 9,11; Mc 2,16; Lc 15,2). Nem todos os pecados, embora graves, são de sua natureza tais que separem o homem do corpo da Igreja como fazem os cismas, a heresia e a apostasia. Nem perdem de todo a vida sobrenatural os que pelo pecado perderam a caridade e a graça santificante e por isso se tornaram incapazes de mérito sobrenatural, mas conservam a fé e a esperança cristã, e alumiados pela luz celeste são divinamente estimulados com íntimas inspirações e moções do Espírito Santo ao temor salutar, à oração e ao arrependimento das suas culpas.

(Papa Pio XII, Encíclica Mystici Corporis, nn. 22-23.)

Note bem, senhoras e senhores: Os únicos pecados que por sua própria natureza separam um homem da Igreja, o Corpo Místico de Cristo, são os pecados de cisma, heresia e apostasia. Isso quer dizer que tais pecados são de tal sorte que cometê-los faz alguém se tornar um não católico. Um herege, afinal, professa uma religião diferente que a do católico, e assim ele não pode ser um membro da Igreja, porque ninguém pode ser católico e não católico ao mesmo tempo. (O mesmo vale, a fortiori, para um apóstata. O cisma é um pouco diferente, mas disso não trataremos aqui).

Portanto, um cismático, herege ou apóstata não poderia ser um Papa válido, pois isso implicaria que alguém que não é membro do Corpo Místico pode, no entanto, ser a cabeça do Corpo Místico, o que é uma contradição.

A Enciclopédia Católica, composta durante o tempo do Papa São Pio X, afirma muito claramente: “Certamente, a eleição de um herege, cismático ou mulher seria nula e sem efeito.” (v. “Eleições Papais”).

A fim de apreciar bem quão importante e séria é essa diferença entre o mau católico e o não católico, vamos examinar o caso do Papa que foi absolutamente o mais imoral em toda a história da Igreja: o Papa João XII (o qual reinou de 950-963). Então Príncipe Otaviano (seu nome de batismo) foi eleito quando tinha apenas dezesseis anos de idade, e foi um completo réprobo moral:

Nada em sua vida dispunha-o para o ofício, e tudo deveria tê-lo afastado dele. Ele raramente era visto na igreja. Seus dias e noites eram gastos na companhia de mancebos e mulheres de má fama, nos prazeres da mesa, nos divertimentos e na caça, ou mesmo nos mais pecaminosos prazeres carnais. Conta-se que, às vezes, no meio da folia dissoluta, o príncipe foi visto a oferecer um drink ao demônio. Eleito para o ofício papal, Otaviano mudou o seu nome e tomou o nome de João XII. Ele foi o primeiro papa a mudar de nome ao assumir o pontificado. Mas a nova dignidade não produziu mudanças em seus costumes, antes meramente servindo para acrescentar a culpa de sacrilégio.

A Divina Providência, velando pela Igreja, preservou miraculosamente o depósito da fé, do qual este jovem voluptuoso era o guardião. A vida deste Papa foi um escândalo monstruoso, mas seu bullarium é impecável. Não podemos admirar o suficiente este prodígio. Não existe um herege ou cismático que não tenha se esforçado para legitimar a sua própria conduta dogmaticamente. Fócio tentou justificar o seu orgulho, Lutero suas paixões sensuais, Calvino sua crueldade. Nem Sérgio III, nem João XII, nem Bento IX, nem Alexandre VI, sumos pontífices, definidores da fé, certos de serem ouvidos e obedecidos por toda a Igreja, proferiram, do alto do púlpito apostólico, uma única palavra que pudesse ser uma aprovação de suas desordens.

Por vezes, João XII mesmo se converteu em defensor da ameaçada ordem social, da lei canônica ofendida e da vida religiosa em perigo.

(Rev. Fernand Mourret, A History of the Catholic Church, Vol. 2 [St. Louis, MO: Herder Book Co., 1946], pp. 510-511; underlining added.)

Você entendeu?

Sim, podem existir papas maus realmente. Mas, no exercício de seu ofício, eles serão tão ortodoxos e católicos como os demais. Cristo prometeu-o: “eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18).

Diferentemente do que muitos “tradicionalistas” vem dizendo por décadas, a Igreja não é garantida de ter um Papa o tempo todo; mas quando ela tem um, ela é garantida de ter um que é católico. Isso é também evidente pelo fato do papa ser o princípio de unidade na Igreja e a regra próxima da Fé; ele é o fiador da ortodoxia e a ele todos se devem submeter como condição de sua salvação (v. Denz. 469). A ideia de que um herege possa ser um papa destoa de tudo isso.

À luz de tudo o que foi dito, considere essas belas citações sobre a autoridade e garantia de infalibilidade do Romano Pontífice:

A vigilância e a solicitude pastoral do Romano Pontífice… conforme os deveres de seu ofício, são principalmente e sobretudo manifestadas na mantença e e conservação da unidade da fé católica, sem a qual é impossível agradar a Deus. Eles se esforçam também a fim de que os fiéis de Cristo não sejam filhos irresolutos, e não se deixem levar por qualquer sopro de doutrina pela perversidade dos homens [Ef 4,14], que tudo concorra para a unidade da fé e o conhecimento do Filho de Deus a fim de formar o homem perfeito, para que eles não firam uns aos outros ou se ofendam entre si na comunidade e sociedade desta vida presente, mas que em vez, unidos pelos laços da cidade como membros de um só corpo tendo Cristo por cabeça, e sob a autoridade de seu Vigário sobre a terra, o Romano Pontífice, sucessor do Bem-Aventurado Pedro, de quem derivou a unidade de toda a Igreja, eles possam crescer em número para a edificação do corpo, e com a assistência da graça divina, eles possam assim desfrutar de tranquilidade nesta vida, bem como da felicidade vindoura.

(Papa Bento XIV, Pastoralis Romani Pontificis, 30 de mar. 1741; em Papal Teachings: The Church, p. 31.)

A Santa Sé Apostólica e o Romano Pontífice tem a primazia no mundo inteiro. O Romano Pontífice é o Sucessor do Bem-Aventurado Pedro, o Príncipe dos Apóstolos, verdadeiro Vigário de Cristo, Cabeça de toda a Igreja, Pai e Mestre de todos os cristãos.

(Papa Bento XIV, Etsi Pastoralis, 26 mai. 1742; em Papal Teachings: The Church, p. 32.)

Só aos pastores foi dado todo o poder de ensinar, julgar, governar; sobre o fiel foi imposto o dever de seguir seus ensinamentos, submeter-se com docilidade ao seu juízo e de permitir ser governados, corrigidos e guiados por eles no caminho de salvação. É, pois, absolutamente necessário que o simples fiel se submeta de espírito e coração aos seus pastores, e que os últimos se submetam com eles ao Chefe e Pastor Supremo.

(Papa Leão XIII, Tua ao Cardeal Guibert, 17 jun. 1885; em Papal Teachings: The Church, p. 263.)

Ademais, Nós declaramos, proclamamos, definimos que é absolutamente necessário à salvação que toda criatura humana se submeta ao Romano Pontífice.

(Papa Bonifácio VIII, Unam Sanctam, 18 nov. 1302.)

A união com a Sé Romana de Pedro é… sempre o critério público de um católico… “Não se pode crer que preservam na fé católica os que não ensinam a fé de Roma.”

(Papa Leão XIII, Satis Cognitum, n. 13.)

… o instrumento forte e efetivo de salvação não é outro senão o Pontificado Romano.

(Papa Leão XIII, Alocução de 20 fev. 1903; em Papal Teachings: The Church, p. 353.)

O quê? Você não tem ouvido essas coisas ultimamente de seu jornal, blog ou sacerdote favorita da Resistência? Não me diga. Tente aplicar as citações acima à seita do Vaticano II e seus “Papas”, e você logo se dará conta de que isto não tem o menor cabimento. Francisco, mesmo nos seus atos oficiais, “o instrumento forte e efetivo de salvação”? Espere um pouquinho. Se existe qualquer coisa em que ele seja forte e efetivo é em causar danação.

Observe também o ensinamento dogmático do Concílio Vaticano I sobre a conexão entre o Papado e a verdadeira Fé, uma conexão que não é meramente acidental, mas essencial e necessária:

Procurando corresponder a este múnus pastoral, os nossos predecessores sempre dedicaram infatigável empenho à propagação da salutar doutrina de Cristo entre todos os povos da terra, e com igual solicitude vigiaram para que, onde fosse recebida, também fosse guardada pura e sem alteração. Pelo que os bispos de todo orbe […] referiram a esta Sé Apostólica principalmente os perigos que surgiam em assuntos de fé, a fim de que os danos da fé se ressarcissem especialmente aí, onde a fé não pode sofrer defeito. Os Romanos Pontífices, conforme lhes aconselhava a condição dos tempos e das circunstâncias, ora convocando Concílios ecumênicos ou ouvindo a opinião de toda Igreja dispersa pelo orbe, ora por sínodos particulares ou empregando outros meios que a divina providência lhes proporcionava, definiram que se devia sustentar aquilo que, com o auxílio de Deus, reconheceram ser conforme às Sagradas Escrituras a às tradições apostólicas. Pois o Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de Pedro para que, por revelação sua, manifestassem uma nova doutrina, mas para que, com a sua assistência, conservassem santamente e expusessem fielmente a revelação transmitida pelos Apóstolos, ou seja, o depósito da fé. E, decerto, esta doutrina apostólica, todos os veneráveis Padres abraçaram-na e os santos ortodoxos Doutores a veneraram e seguiram, plenissimamente conscientes de que esta Sé de São Pedro sempre permaneceu intacta de todo erro, segundo a divina promessa de Nosso Senhor [e] Salvador feita ao chefe de seus discípulos: “Eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, confirma teus irmãos.” [Lc 22,32].

(Concílio do Vaticano, Pastor Aeternus, n. 4; Denz. 1836.)

Chegou a hora de mudar de canal. Chegou a hora de parar de engolir a propaganda semitradicionalista produzida pelo The Remnant e seus primos. Chegou a hora de parar de dar apoio ao “Padre” Zuhlsdorf. Chegou a hora de parar de ler os apologistas pagos da seita modernista do Vaticano II. Chegou a hora, enfim, de desligar-se de Michael Voris.

[…]

Como católicos que somos, nós reconhecemos e distinguimos bem um João XII pervertido, mas católico de um Francisco legal, mas herético. Papa Pio IX lembra-nos disso mais uma vez:

Vós bem sabais que os inimigos mortais da religião católica têm sempre movido uma guerra feroz, mas sem sucesso, contra esta Cátedra; eles não são de nenhum modo ignorantes do fato de que a religião mesma jamais pode vacilar ou cair enquanto esta Cátedra permanecer intacta, a Cátedra que está assentada sobre a rocha que as orgulhosas portas do inferno não podem vencer e na qual existe a solidez integral e perfeita da religião cristã.

(Papa Pio IX, Encíclica Inter Multiplices, n. 7)

Mas a suposta “Cátedra de São Pedro” da seita do Vaticano II tem vacilado e caído; ela, portanto, não pode ser a verdadeira e genuína Cátedra de São Pedro.

Onde, então, está o verdadeiro Papa? Nós não o sabemos. Pelo que sabemos, nós não temos um Papa no momento. A Sé de Pedro tem estado vacante ou impedida desde 1958. Ela não está por certo sendo ocupada pelos impostores da Igreja do Vaticano II (João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI e Francisco).

Mas tenha isto em mente: Embora a Igreja possa não ter sempre um Papa, ela sempre terá a verdadeira Fé. E, por essa razão somente, nós sabemos que a seita do Vaticano II não pode ser a Igreja Católica de Nosso Senhor Jesus Cristo.


NOVUS ORDO WATCH. The “Bad Popes” Argument. Disponível em: <http://novusordowatch.org/2014/03/bad-popes-argument/>. Acesso em: 14 jun. 2017.

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