O Papa e o Anticristo: A Grande Apostasia Predita

A doutrina católica é simples e clara: o Papa é a Suma Autoridade na Terra, o Vigário de Nosso Senhor Jesus Cristo. Isso faz dele o contrarrevolucionário por excelência, o inimigo número um dos rebeldes de todas as estirpes, o antagonista perpétuo do Anticristo. O Papa JAMAIS será parte da crise na Igreja ou mesmo a causa dela.

Alguns católicos hoje em dia se mostram dispostos a acreditar que o Papado não é o que a Igreja sempre nos ensinou que ele era. Este, porém, é um mau caminho. O que nós católicos devemos concluir a partir da postura revolucionária dos últimos clamantes ao Papado em Roma (de João XXIII em diante) é que eles não gozam do carisma papal. Isso explica perfeitamente bem o estado sem precedentes de confusão e desordem em que se encontra a Igreja de Deus no presente momento.

Se resta alguma dúvida quanto a isso, leia este artigo com bastante atenção.

Leia também: A Revolução dentro da Igreja

O PAPA E O ANTICRISTO
Pio XII vs o Anticristo

A GRANDE APOSTASIA PREDITA

INTRODUÇÃO

Como todos sofremos nesses tempos difíceis, nos quais a confusão e o caos reinam entre aqueles que procuram ser genuinamente católicos, membros da única religião verdadeiramente estabelecida por Deus, é útil e importante refletir sobre o fato de que a situação em que nos encontramos hoje – não ter Papas válidos desde 1958, nem bispos católicos com jurisdição ordinária, enquanto há em seu lugar uma falsa instituição mascarada de Igreja Católica espalhando heresia, imoralidade e impiedade – foi predita na Sagrada Escritura. Assim como a Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo tomou (quase) todos de surpresa, embora essas coisas tivessem sido profetizadas de antemão, parece que a Paixão e aparente Morte da própria Igreja tem tomado todos de surpresa, muito embora a Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição, os Padres da Igreja e vários teólogos tenham atestado que o Corpo Místico de Cristo teria de sofrer, antes do fim dos tempos, a maior tribulação de sua história.

Já tratamos um pouco desse assuntos em posts e artigos anteriores, onde mostramos passagens das Escrituras em que uma apostasia da Fé é predita e, de modo especial, aquelas que profetizavam que o Papado seria perseguido e atacado de maneira terrível. Para uma rápida revisão dessas importantes (e extremamente significativas) profecias, seguem os links:

Posto que é evidente que, ao longo de história, o Papa sempre foi alvo dos inimigos da Igreja na condição de verdadeiro Vigário de Jesus Cristo e Cabeça Visível da Igreja, não é de admirar que nos últimos tempos o demônio junte todas as suas forças numa última e extremamente poderosa tentativa de arrebatar o Papado e a Igreja. Vale dizer que essa batalha final de Satanás contra o Reino de Deus sobre a terra seria sem precedentes em termos de sua natureza, extensão, furor, poder, horror e astúcia.

UMA FRAUDE PARA DESTRUIR A IGREJA

Nas décadas que precederam a criação da seita modernista do Vaticano II, os Papas denunciaram vigorosamente as conspirações planejadas pelas sociedades secretas, que tinham como objetivo declarado a infiltração e destruição definitiva da Igreja Católica e sua doutrina. Os seguintes links apresentam vários excertos de documentos papais anteriores ao Vaticano II que chamam a atenção para a perseguição arquitetada e empreendida contra a Igreja da parte de seus mais perniciosos inimigos:

Algumas pessoas imprudentes procuram fugir dessa evidência por meio da resposta um tanto ligeira e cínica de que “a Igreja não pode ser destruída, as portas do Inferno não prevalecerão”. Embora isso seja verdade, tal resposta não compreende a realidade da situação: os Papas mesmos, obviamente, também sabiam que a Igreja Católica jamais poderia ser destruída, sendo obra de Deus e tendo Cristo prometido que ela se manteria sem qualquer alteração substancial até o fim dos tempos. Mas por que, então, os repetidos avisos dos papas? Por que o senso de alarme e urgência com o qual denunciavam o que seus inimigos estavam planejando?

A resposta é simples: A Igreja não será destruída, mantendo-se até o fim dos tempos, contudo, a perseguição empreendida por seus inimigos causa imenso dano às almas e as almas realmente vão para o Inferno, se elas sucumbirem como suas vítimas. Quando a Fé está sob ataque, quando as almas estão sob o risco de se perderem, quando a heresia ameaça sufocar a fé pura e inocente de seus filhos, não basta simplesmente apontar para o fato de que a Igreja não pode ser destruída. Ela não pode ser destruída, de fato, mas o número de seus membros pode diminuir, isto é, seus filhos podem se perder, podem abandonar a Fé e se tornar insensíveis, eles podem pecar mortalmente, morrer espiritualmente pela confusão e falta de conhecimento e queimar no Inferno eternamente. O fato do Reino de Deus perder membros e tê-los transferidos novamente para o domínio das trevas, inclusive em grandes quantidades, provoca grande perturbação e ansiedade; afinal, isso é o contrário do que a Igreja foi encarregada de realizar! A Igreja foi fundada para levar as almas para o Céu, não para vê-las condenadas ao Inferno. Por essa razão que a réplica de que “as portas do Inferno não prevalecerão”, em face à perseguição da Igreja, está completamente deslocada.

Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pastor de nossas almas (cf Jo 10,14), avisou-nos que antes de sua Segunda Vinda haveria um declínio da Fé causado por uma grande fraude, uma fraude tão convincente que até mesmo os eleitos creriam, se não fossem especialmente prevenidos por Deus:

E estando ele assentado no Monte das Oliveiras, se chegaram a ele seus discípulos em particular, perguntando-lhe: Dize-nos, quando sucederão estas coisas? E que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século? E respondendo Jesus lhes disse: Vede, não vos engane alguém; Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. Haveis pois de ouvir guerras, e rumores de guerras. Olhai não vos turbeis; porque importa que assim aconteça, mas não é este ainda o fim; Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá pestilência, e fomes, e terremotos em diversos lugares. E todas estas coisas são o princípio das dores. Então vos entregarão à tribulação e vos matarão; e sereis aborrecidos de todas as gentes por causa do meu nome. E muitos então serão escandalizados, e se entregarão de parte a parte, e se aborrecerão uns aos outros. E levantar-se-ão muitos falsos profetas, e enganarão há muitos. E porquanto multiplicar-se-á a iniquidade e se resfriará a caridade de muitos. Mas o que perseverar até o fim, este será salvo. E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, em testemunho a todas as gentes; e então chegará o fim. Quando vós pois virdes que a abominação da desolação, que foi predita pelo profeta Daniel, está no lugar santo, o que lê entenda; Então os que se acharem na Judeia, fujam para os montes; E o que se acha no telhado, não desça para levar coisa alguma de sua casa; E o que se acha no campo, não volte a tomar a sua túnica. Mas ai das que estiverem grávidas, das que tiverem filhos naqueles dias. Rogai pois que não seja a vossa fuga em tempo de inverno, ou em dia de sábado; Porque será então a aflição tão grande, que, desde que há mundo até agora, não houve, nem haverá outra semelhante. E se não se abreviassem aqueles dias, não se salvaria pessoa alguma; porém abreviar-se-ão aqueles dias em atenção aos escolhidos. Então, se alguém vos disser: Olhai, aqui está o Cristo; ou, ei-lo acolá: não lhe deis crédito. Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão grandes prodígios e maravilhas tais que, se fosse possível, até os escolhidos se enganariam. Vede que eu vo-lo adverti antes.

(Mateus 24,3-25)

Uma fraude de tais dimensões, que quase enganaria os eleitos, tem de ser uma fraude muito perniciosa. Por certo, tem de ser capaz de enganar as massas; tem de ser um ardil capaz de arrebatar um grande número de fiéis católicos, tornando-os infiéis. Ora, existe melhor modo para isso do que colocar uma falsa igreja no lugar da Igreja Católica? Do que introduzir uma seita desde dentro que, enquanto mantendo a aparência da verdadeira Igreja, subverte a doutrina da Fé, os Sacramentos e a piedade católica? Mais: se existe uma pessoa na terra que os católicos seguem, essa pessoa é o Papa; logo, a grande apostasia tem de ser imposta desde cima. O alvo, portanto, será o Papa – o Papado deve ser usurpado, por um modo ou outro, para que os inimigos da Igreja sejam capazes de realizar o seu sonho maligno de perverter a fé de milhões com o único propósito de estabelecer o reino do homem no lugar do reino de Cristo.

No século XIX, o plano da loja maçônica Alta Vendita se fez transparente na sua secreta “Instrução Permanente”, um documento que, pela providência do Deus Todo-Poderoso, foi descoberto no reinado de Gregório XVI (1831-1846) e divulgado pelos Papas Pio IX e Leão XIII:

Não temos a intenção de trazer os Papas à nossa causa, de torná-los neófitos dos nossos princípios, propagadores das nossas ideias. Isso seria um sonho ridículo, não importa a maneira como esses eventos possam suceder. Se cardeais ou prelados, por exemplo, de algum modo entrassem, conscientes ou não, dentro de algum de nossos planos, não seria esse fato um incentivo para desejar a sua ascensão à Sé de Pedro. Essa elevação iria nos destruir. A simples ambição os lavaria para a apostasia de nossa causa: as necessidades do poder hão de forçá-los a nos sacrificar. Assim, o que nós deveríamos pedir, aquilo que deveríamos procurar e esperar, assim como os judeus esperam pelo Messias, é um Papa de acordo com as nossas vontades…

Portanto, a fim de garantir-nos um Papa nesses moldes, é necessário formar para esse Papa uma geração digna do reinado daquele que nós sonhamos…

… Buscai o Papa cujo retrato vos damos. Desejais estabelecer o reino do eleito sobre o trono da prostituta de Babilônia? Deixai os clérigos marcharem sob vossa bandeira na crença de que estão marchando sob a bandeira das Chaves Apostólicas. Desejais acabar com o último vestígio de tirania e de opressão? Lançai as vossas redes como Simão, filho de Jonas. Lançai-as no interior das sacristias, seminários e conventos, em vez de lançá-las ao fundo do mar e, caso não vos desespereis, obtereis uma pescaria mais milagrosa que a dele. Eis que o pescador de peixes se tornará um pescador de homens! Vós mesmos havereis de ficar como amigos à volta da Sé Apostólica. Dessa maneira, vós tereis realizado uma Revolução de Tiara e Casula, combinada com Cruz e bandeira – uma Revolução que precisa somente de um empurrãozinho para incendiar os quatro cantos da Terra.

(Permanent Instruction of the Alta |Vendita)

Enquanto parece que os eventos posteriores, na verdade, saíram um pouco diferentes do que o planejado neste documento – há evidência de que Angelo Roncalli, que se tornou o primeiro Antipapa da falsa Igreja do Vaticano II em 1958, foi realmente um maçom rosacruzense – o elemento-chave da fraude, isto é, “ser-católica-por-fora-mas-herética-por-dentro”, permanece o mesmo: “Deixai os clérigos marcharem sob vossa bandeira na crença de que estão marchando sob a bandeira das Chaves Apostólicas… Vós mesmos havereis de ficar como amigos à volta da Sé Apostólica. Dessa maneira, vós tereis realizado uma Revolução de Tiara e Casula, combinada com Cruz e bandeira…”

Certamente todos os falsos papas desde 1958 tem pregado a doutrina maçônico-modernista, que se impôs oficialmente com a “encíclica” Pacem in Terris de João XXIII e o Concílio Vaticano II: os ideais maçônicos de liberdade, igualdade e fraternidade se tornaram as doutrinas do Vaticano II de liberdade religiosa, colegialidade e do ecumenismo que são o fundamento da religião Novus Ordo. No entanto, dentre os seis papas impostores até o presente, o que mais abertamente professa e ensina as doutrinas maçônicas é o corrente Jorge Bergoglio, mais conhecido como “Papa Francisco”, como se pode verificar nos seguintes links:

O que faz dessa perseguição a Igreja, infligida pelos maçons infiltrados e seus discípulos, algo realmente mais poderoso e trágico é que frequentemente as pessoas que promovem esses falsos mestres são, no entanto, de boa vontade, piedosas e sinceramente buscam servir a Deus – em outras palavras, a grande maioria daqueles que espalham a apostasia não são enganadores deliberados, mas, em vez disso, são eles mesmas vítimas da fraude. No sermão proferido no Domingo de Pentecostes de 1861, o famoso Padre Frederick Faber alertou que isso era precisamente o que faria tantas pessoas caírem no erro:

Devemos lembrar que se todos os homens manifestamente bons fossem para um lado e todos os manifestamente maus fossem para outro, não existiria o menor risco do último dos eleitos ser enganado por prodígios de mentira. São os bons homens, os que o foram uma vez e que devemos esperar que ainda o sejam, que hão de fazer a obra do Anticristo e que, desafortunadamente, hão de crucificar o Senhor novamente… Tenham em mente esta característica dos últimos tempos: esta fraude surge precisamente do fato de homens bons estarem do lado errado.

(Fr. Frederick Faber, Sermon for Pentecost Sunday, 1861; qtd. in Fr. Denis Fahey, The Mystical Body of Christ in the Modern World)

A importância desse ponto não pode ser enfatizada o bastante, porque uma multidão de pessoas são seduzidas pela aparência externa e fazem-no a partir da (real ou falsa) sinceridade alheia. O que Padre Faber nos ensinou é que essas mesmas pessoas boas e sinceras podem ainda, inconscientemente, fazer o trabalho do Anticristo – a sinceridade que elas têm não as impede de serem, de facto, agentes do demônio; a boa vontade delas também não as previne de serem ferramentas usadas para a realização da obra de Satanás.

CARDEAL MANNING SOA O ALERTA

Durante a Páscoa de 1861, o famoso Cardeal Edward Manning (1808-92), convertido do anglicanismo, publicou um livreto contendo quatro textos explicando os eventos que haveriam de preceder e circundar o advento do Anticristo, pautado nas palavras de São Paulo em II Tessalonicenses 2,3-11, que fala não só de uma grande fraude, mas também de uma revolta, de um “homem do pecado” e da força que temporariamente o retém:

Ninguém de modo algum vos engane; porque não será, sem que antes venha a apostasia, e sem que antes tenha aparecido o homem do pecado, o filho da perdição; Aquele que se opõe, e se eleva sobre tudo o que se chama Deus, ou que é adorado, de sorte que se assentará no templo de Deus, ostentando-se como se fosse Deus. Não vos lembrais de que eu vos disse estas coisas, quando ainda estava convosco? E vós sabeis que é o que agora o retém, a fim de que seja manifestado a seu tempo. Porque o mistério da iniquidade já de presente se obra; somente que aquele, que agora tem, tenha, até que este homem seja destruído. E então aparecerá o tal iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca, e o destruirá com o resplendor de sua vinda; A vinda do qual é segundo a obra de Satanás em todo o seu poder, e em sinais e em prodígios mentirosos, e em toda a sedução da iniquidade para aqueles que perecem; porque não receberam o amor da verdade para serem salvos. Por isso lhes enviará Deus a operação do erro, para que creiam na mentira; Para que sejam condenados todos os que não deram crédito à verdade, antes assentiram à iniquidade.

(II Tessalonicenses 2,3-11)

O livreto de Cardeal Manning foi publicado inicialmente com o título The Present Crisis of the Holy See Tested by Prophecy [A Presente Crise da Santa Sé à luz da profecia], mas depois passou a ser reeditado com o nome mais chamativo de The Pope & the Antichrist [O Papa & o Anticristo] (Tradibooks, 2007). A maior parte do conteúdo dessa obra foi incluída posteriormente no trabalho mais substancial chamado The Temporal Power of the Vicar of Jesus Christ [O Poder Temporal do Vigário de Jesus Cristo].

Embora sempre se deva ter cautela com respeito a um interesse excessivo pelas coisas relacionadas ao “fim dos tempos”, no entanto, plea mesma razão seria imprudente desconsiderar toda e qualquer revelação relacionada com essa questão, visto que o Deus Todo-Poderoso não nos revelaria verdades para que nós as ignorássemos.

Em O Papa e o Anticristo, o Cardeal Manning destaca e explica em detalhe os quatro elementos-chave mencionados por São Paulo na passagem citada acima. São eles:

  1. Uma “revolta” contra a verdadeira Igreja;
  2. A manifestação do “homem da iniquidade”, o Anticristo;
  3. Uma força que o retém por um tempo;
  4. Um período de poder no qual o Anticristo persegue os fiéis.
Cardeal Manning
Cardeal Henry Edward Manning (1808-1892)

O Cardeal se adianta em dizer que os esclarecimentos que ele fornece não são o resultado de suas próprias conjecturas, mas que antes se fundam na autoridade de teólogos católicos reconhecidos: “Em se tratando desse assunto, não deverei eu valer-me de conjecturas de minha própria autoria, mas deverei simplesmente expor o que encontrei ou nos Padres da Igreja, ou em teólogos reconhecidos pela Igreja, nomeadamente [São Roberto] Belarmino, Lessius, Malvenda, Viegas, Suarez, Ribera e outros.” (p. 9).

Os parágrafos seguintes consistem de vários trechos tomados das mais excelentes e edificantes passagens dessa obra de Cardeal Manning. Para aqueles que estão interessados em obter uma cópia, quer no formato impresso ou digital, atualmente estão disponíveis as seguintes edições e formatos:

Os excertos a seguir de O Papa & o Anticristo estão divididos por seções que correspondem às quatro conferências que constituem o livro. Enquanto você fizer a leitura desses excertos, tenha em mente que o Cardeal os escreveu em 1861, há mais de cento e cinquenta anos atrás, antes das duas terríveis guerras mundiais, antes da criação do Estado de Israel e pouco tempo depois do reino da Itália ter anexado à força a maior parte dos Estados Pontifícios, do qual o Papa era o chefe temporal.

[PRINCÍPIO DO EXCERTO]

I CONFERÊNCIA: A GRANDE APOSTASIA

Temos aqui a profecia de quatro grandes fatos: primeiro, de uma revolta que precederá a segunda vinda de Nosso Senhor; segundo, da manifestação de alguém que é chamado de “o homem iníquo”; terceiro, de um obstáculo que impede sua manifestação; e, por fim, de um período de poder e perseguição, do qual ele será o autor…

Primeiro, então, o que é essa revolta? No original ela é chamada de apostasia: e na Vulgata, discessio, ou seja, uma ruptura. Ora, uma revolta implica uma separação sediciosa de alguma autoridade e uma conseqüente oposição a ela… Ora, existem no mundo duas autoridades supremas, a civil e a espiritual, logo esta revolta deve ser ou uma sedição, ou um cisma… Parece pouco necessário provar que esta revolta ou apostasia é uma separação não da ordem civil, mas sim da ordem e da autoridade espiritual; pois os autores sagrados, de novo de de novo, falam de uma tal separação; e em algum lugar São Paulo parece declarar expressamente o significado desta palavra. Ele adverte São Timóteo de que nos últimos dias “apostatarão alguns da fé” [I Timóteo 4,1] e parece evidente que a apostasia espiritual que ele menciona é a mesma apostasia [referida] aqui.

Logo, a autoridade de que se ocupa a revolta é o reino de Deus sobre a Terra…, em outras palavras, a Igreja Una e Católica, fundada pelo Divino Salvador, e difundida pelo mundo por seus Apóstolos. Neste único reino sobrenatural foi depositada a verdade e o teísmo puro, ou o conhecimento de Deus, e a verdadeira e única fé no Deus Encarnado com as doutrinas e leis da graça. Esta, então, é a autoridade contra a qual a revolta deve se insurgir, seja ela o que for.

francisco-esconde-o-curcifixoSendo esta a autoridade contra a qual se levanta a revolta, não pode ser difícil definir seu caráter. Os autores inspirados expressamente descrevem suas notas. A primeira é o cisma, como demonstra São João: “É chegada a última hora e como vós tendes ouvido dizer que o Anticristo vem, também já desde agora há muitos anticristos, donde conhecemos que é chegada a última hora. Eles saíram de nós, mas não eram de nós, porque, se eles tivessem sido de nós, ficariam certamente conosco.” [I Jo 2,18-19]. A segunda nota é a rejeição das obras e presença do Espírito Santo, São Judas diz: “Estes são os que fomentam a discórdia, homens sensuais [isto é, homens que ignoram seu caráter sobrenatural], que não têm o Espírito.” (Judas 19). Isso necessariamente implica o princípio herético da opinião humana como oposta à infalível voz do Espírito Santo que fala através da Igreja de Deus. A terceira nota é a negação da Encarnação. São João escreve: “Todo espírito, que confessa que Jesus Cristo veio em carne, é de Deus; e todo espírito, que divide a Jesus [isto é, todo o que nega o mistério da Encarnação, ou sua verdadeira divindade, ou sua verdadeira humanidade ou a unidade e divindade da pessoa do Filho Encarnado] “não é de Deus, mas este tal é o Anticristo, do qual vós tendes ouvido que vem, e ele agora está já no mundo.” (I Jo 4,2-3). Novamente ele diz, “Muitos impostores se tem levantado no mundo, que não confessam que Jesus veio em carne; este tal é impostor e um anticristo.” (II Jo 7) Então, assim como a Igreja deve ser conhecida por suas notas, a revolta anticristã ou a apostasia pode ser distinguida por essas notas…

[T]odas as heresias desde o princípio não são mais que o continuo desenvolvimento e expansão do “mistério da iniquidade”, o qual já está operando…

É evidente que esse movimento apóstata, acumulando seus resultados progressivamente, seja neste tempo mais natural e tenha uma maior organização e poder, assim como seu antagonismo contra a Igreja e a fé é maior do que antes…

Parece inevitável que os inimigos de todas as nações que estão separadas da unidade católica… deveriam concentrar seus esforços sobre aquele que é o Vigário e Representante de Jesus, e sobre o único Corpo que testemunha a Encarnação e todos os mistérios da verdade e da graça. Tal é a Santa Igreja Católica Romana e tal é o Sumo Pontífice, sua cabeça visível. Nas palavras da Sagrada Escritura, essas duas [potências] são o mistério da piedade e da iniquidade. Todas as coisas estão imersas na chama e proeminência desses dois poderes supremos, que dividem os destinos dos homens. O conflito se resume no antagonismo entre o Cristo e o Anticristo; e essas duas potências estão marchando ordenadamente, e os homens estão escolhendo os princípios de uma ou da outra; ou então os acontecimentos estão escolhendo por eles; e eles estão à deriva na correnteza que os vai arrastando sem que eles tenham consciência disso…

II CONFERÊNCIA: O ANTICRISTO

De fato, é verdade que o Anticristo teve, e deve ter ainda, muitos precursores, também o próprio Cristo os teve. Assim como Isaac, Moisés, Josué, Davi e Jeremias foram tipos dele, do mesmo modo Antíoco, Juliano, Ario, Maomé e muitos outros foram tipos do Anticristo; porque pessoas tipificam pessoas. Então, novamente, Cristo é a Cabeça e Representante no qual todo o mistério da piedade foi resumido e recapitulado, da mesma forma que o mistério da impiedade vai achar sua expressão e sua cabeça na pessoa do Anticristo. Ele pode, realmente, incorporar um espírito e representar um sistema, mas não sem a liderança de uma pessoa…

Além do mais, os Padres [da Igreja] acreditavam que o Anticristo será da raça judaica… E e ele aparecerá provavelmente, se considerarmos que o Anticristo virá para enganar os judeus, conforme a profecia do Senhor: “Eu venho em nome de meu Pai, e vós não me recebestes: outro virá em meu próprio nome e vós o recebereis” (Jo 5,43)… Além disso, aumenta a probabilidade de que assim seja se também considerarmos que um falso Cristo faltaria à primeira condição de êxito, se ele não fosse da tribo de Davi; pois é de lá que os judeus estão esperando sua vinda; eles tem se preparado para o engano, crucificando o verdadeiro Messias; e, portanto, é isso que os Padres da Igreja compreendem acerca do verdadeiro e falso Messias nessas palavras de São Paulo: “Porque não receberam o amor da verdade para serem salvos. Por isso lhes enviará Deus a operação do erro, para que creiam na mentira” [II Ts 2,10-11]…

Francisco escondendo a CruzDaí percebemos uma triplo caráter do Anticristo, nomeadamente, que ele não será simplesmente um antagonista, mas sim um substituto ou suplantador do verdadeiro Messias: e isso se torna ainda mais provável pelo fato de que o Messias esperado pelos Judeus sempre foi um libertador temporal, o restaurador de uma ordem temporal; ou, em outras palavras, um príncipe político e militar. É óbvio também que quem quer que venha a enganá-los com o caráter de seu pretenso Messias deve, pois, negar o mistério da Encarnação; qualquer coisa que ele diga de sobrenatural se refere a si mesmo. Ele será, em sua própria pessoa, um completo negador de toda a fé cristã; pois se ele é o verdadeiro Messias, então o Messias dos cristãos deve ser falso…

Mas as profecias acrescentam mais um caráter preternatural à pessoa do Anticristo: Ele é descrito como um obrador de falsos milagres. Da vinda dele se diz que “é segundo a obra de Satanás em todo o poder, e em sinais e em prodígios mentirosos, e em toda a sedução da iniquidade para aqueles que perecem” [II Ts 2,9-10]… O tempo está maduro para o engano. Não vão acreditar nos milagres dos santos, mas se embriagarão com fenômenos de espiritualismo…

A última característica da qual falarei pode ser mais difícil de conceber. São Paulo diz sobre “o homem do pecado” que ele é “o filho da perdição; Aquele que se opõe, e se eleva sobre tudo o que se chama Deus, ou que é adorado, de sorte que se assentará no templo de Deus, ostentando-se como se fosse Deus.” [II Ts 2,4]. Essas palavras são interpretadas pelos Padres com o sentido de que ele reclamará honras divinas, e isso no templo de Jerusalém… [Ainda:] Assim como Cristo na sua vinda era crido como o carpinteiro, da mesma forma o Anticristo deve ser visivelmente nada mais que um empreendedor bem-sucedido. Mesmo o seu preternatural caráter, verdadeiro ou falso, deve parecer aos olhos dos outros como ranços de insanidade, ou como a mentira contada por seus aduladores. Dessa maneira, o mundo cega seus próprio olhos pela fumaça de seu próprio orgulho intelectual.

III CONFERÊNCIA: AQUELE OU O QUE RETÉM A MANIFESTAÇÃO DO ANTICRISTO

Assim como existe um perpétuo trabalho do mistério da iniquidade, também existe um perpétuo obstáculo ou barreira a sua manifestação, que permanecerá até ser removido; e existe um tempo determinado em que ele deve ser tirado do seu caminho… Ora, enquanto que este homem iníquo deve ser uma pessoa desregrada, que introduzirá desordem, sedição, tumulto e revolução, tanto na ordem espiritual quanto na temporal, do mesmo modo aquele que impede seu desenvolvimento será seu direto antagonista depois de sua manifestação e deve necessariamente ser um príncipe de ordem, de leis de submissão, a autoridade da verdade e do direito…

Devemos agora nos aproximar de uma conclusão afirmada no começo a respeito do Anticristo que também vale para o seu oponente, nomeadamente, que o poder que impede a revelação do homem desregrado não é somente uma pessoa, mas um sistema e não somente um sistema, mas uma pessoa. Numa palavra, o obstáculo é a Cristandade e sua Cabeça; portanto, é na pessoa do Vigário de Jesus Cristo, em posse da dupla autoridade de que ele foi providencialmente investido, que encontramos o direto antagonista ao princípio da desordem…

Desde a fundação da Europa Cristã, a ordem política do mundo tinha se orientado sobre o mistério da Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo; por essa razão, todos os atos públicos de autoridade, e mesmo o calendário pelo qual nós datamos nossos dias, são contados a partir dos anos de salvação ou a partir do “ano de Nosso Senhor”… [N]o dia em que se admite igualdade de privilégios aos que negam a Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo, dissolve-se a vida e a ordem social orientadas pelo mistério da Encarnação e se põe em seu lugar os alicerces do naturalismo: isso é precisamente o que foi predito acerca do período anticristão…

Se a barreira que impedia o desenvolvimento do princípio da desordem anticristã tinha sido o poder de Jesus Cristo, Nosso Senhor, incorporado pela Igreja conduzida pelo seu Vigário, então nenhuma mão é poderosa o bastante e ninguém será capaz de tirá-lo do caminho, exceto a mão e a vontade do Filho encarnado de Deus mesmo…

A história da Igreja e a história de Nosso Senhor sobre a terra, correm como que em paralelo. Por trinta e três anos o Filho de Deus esteve no mundo e nenhum homem poderia lançar sua mão contra ele. Nenhum homem poderia apanhá-Lo, porque a sua “hora ainda não chegou.” Havia uma hora pré-determinada em que o Filho de Deus deveria ser entregue nas mãos dos pecadores. Ele sabia disso; Ele predisse isso. Ele manteve seu destino em suas própria mãos, pois ele estava protegido pelo círculo de seu próprio poder divino. Nenhum homem poderia atravessar aquele círculo de onipotência até que chegasse a sua hora, quando por sua própria vontade ele abrisse caminho para o poder das trevas…

O mesmo vale para Sua Igreja. Até chegar o tempo em que a barreira deverá, pela Vontade Divina, ser tirada do caminho, ninguém poderá lançar sua mão contra ela. As portas do Inferno podiam mover guerra contra ela; podem lutar e lutar como lutam agora contra o Vigário de Nosso Senhor, mas não têm o poder de mover um passo a mais, até que chegue a hora em que o Filho de Deus permitirá, por um tempo, que os poderes das trevas prevaleçam. Que Ele permitirá que prevaleçam por um tempo, isso se apóia no livro da profecia…

Precisamos, pois, ficar bem atentos. Deve acontecer mais uma vez com alguns aquilo que ocorreu como se fez quando o Filho de Deus estava em sua Paixão – eles o viram traído, preso, amarrado, abatido, golpeado, de olhos vendados e açoitado; eles o viram carregar Sua Cruz para o Calvário e lá o pregarem e elevaram para o desprezo do mundo; e eles disseram, “se ele for o Rei de Israel, desça agora da cruz, e nós creremos nele” (Mt 27,42). Então, da mesma maneira dizem agora, “vejam a Igreja Católica, esta Igreja de Deus, débil e frágil, rejeitada até mesmo pelas nações ditas católicas. Vede a França católica, a Alemanha católica, a Sicília católica e a Itália católica abrindo mão da falácia do poder temporal do Vigário de Jesus Cristo.” E assim, porque a Igreja parece fraca e o Vigário do Filho de Deus está renovando em si a Paixão de seu Mestre sobre a terra, ficamos nós escandalizados, dele afastamos a nossa face. Então, onde é que está a nossa fé? Entretanto, o filho de Deus predisse essas coisas quando falou: “E eu vo-lo disse agora, antes que suceda, para que, quando suceder, o creiais” (Jo 14,29).

Pio XII sendo velado
Velório de Pio XII (outubro de 1958)

IV CONFERÊNCIA: A PAIXÃO E “MORTE” DA IGREJA

Ora, é contra a pessoa [do Papa] eminentemente e enfaticamente, como se disse antes, que o espírito das trevas e da mentira deve dirigir seu assalto; pois se a cabeça for separada do corpo, o corpo mesmo deve morrer. “Matem o pastor, e as ovelhas serão dispersadas” é a antiga artimanha do malvado, que feriu o Filho de Deus para que pudesse dispersar o rebanho. Mas essa artimanha sempre falhou; pois na morte que abateu o Pastor, o rebanho foi redimido: e embora o pastor que foi constituído no lugar do Filho esteja abatido, o rebanho não pode mais se dispersar. Há trezentos anos o mundo se esforça para arruinar a linha dos Soberanos Pontífices, mas o rebanho nunca se dispersou: e assim deve ser até o fim. É, no entanto, é contra a Igreja de Deus e, principalmente, contra sua Cabeça, que todos os espíritos das trevas em todos os tempos, sobretudo no presente, dirigem as flechas de sua inimizade…

Ora, a Igreja já padeceu duas perseguições, uma nas mãos dos judeus e outra na mão dos pagãos. Desse fato, os autores de tempo mais remoto, os Padres tanto do Ocidente quanto do Oriente, previram que nos últimos dias a Igreja padecerá uma terceira perseguição, mais amarga, mais sangrenta, mais intensa e cruel do que qualquer perseguição já feita, e ela partirá de um mundo sem fé que se revoltou contra o Verbo Encarnado…

Assim como os perversos não prevaleceram contra Ele [Nosso Senhor Jesus Cristo] mesmo quando o amarraram com cordas, arrastaram para o julgamento, vendaram seus olhos, zombaram dele como se fosse um falso rei, bateram em sua cabeça como se fosse um falso profeta, ainda quando o conduziram para fora, crucificaram e, no auge de seu poder, pareciam ter completo domínio sobre Ele, de modo que Ele foi derrubado e quase se prostrou diante de sus pés; e como, precisamente no momento em que esteve morto e enterrado a vista deles, foi o tempo em que Ele foi elevado sobre todos, ressurgiu no terceiro dia, subiu aos Céus, foi coroado e glorificado, tomando posse de sua realeza e supremo reinado, sendo constituído Rei dos Reis e Senhor dos Senhores; do mesmo modo deve suceder com a sua Igreja: embora por um tempo perseguida, e aos olhos dos homens derrotada e pisoteada, destronada, despojada, escarnecida e esmagada, mesmo nesse tempo de triunfo, as portas do Inferno não prevalecerão. Existe na história uma ressurreição e uma ascensão para a Igreja, uma realeza e dominação, uma gloriosa recompensa para todos os que tenham perseverado. Como aconteceu com Jesus, é preciso sofrer para receber essa coroa de glória. Ninguém se deixe, então, escandalizar se a profecia fala de sofrimentos por vir. Estamos todos acostumados a imaginar triunfos e glórias da Igreja sobre a terra, que o Evangelho será pregado por todas as nações, que o mundo se converterá e todos os inimigos serão subjugados e etc. até alguns se mostram indispostos a ouvir que na história da Igreja haverá um tempo de grande tribulação: e, agindo assim, fazemos como os antigos judeus que esperavam por um conquistador, por um rei, pela prosperidade; e quando seu Messias veio na humildade e na paixão, não o puderam reconhecer. Por isso, estou inclinado a penar que muitos entre nós intoxicam suas mentes com vislumbres de sucesso e vitória a ponto de não suportarem a ideia de que esse tempo de perseguição já se aproxima da Igreja de Deus…

Communion of unbelieversO primeiro sinal ou nota dessa perseguição vindoura é a indiferença à verdade. Assim como existe calmaria antes de um furacão, assim como as águas de uma cachoeira descem como vidro, do mesmo modo antes do surgimento de um conflito existe um tempo de tranquilidade. O primeiro sinal é a indiferença. Nada caracteriza mais do que qualquer outra coisa o surgimento de uma perseguição futura do que o indiferente desprezo pela verdade ou mentira. A Roma Antiga em sua força e poder adotou todas as falsas religiões de todas as nações conquistadas e deu para cada uma delas um templo dentro de seus muros. Ela foi soberana e desdenhosamente indiferente para com todas as superstições da terra. Encorajou-as; porque cada nação tinha sua própria superstição e tal superstição era uma maneira de tranquilizar, governar e manter em sujeição o povo favorecido pela construção de um templo dentro de seus muros. Da mesma forma, vemos no presente as nações do mundo cristão gradualmente aderindo a toda espécie de contradição religiosa, isto é, dando-lhes toda liberdade, ou como dizem, perfeita tolerância; não reconhecendo qualquer distinção entre verdade e falsidade entre elas, mas deixando todas as formas de religião trilharem seu próprio caminho…

[E]xiste o crescimento do ódio pelo que eles chamam de dogmatismo, ou seja, a qualquer verdade positiva, qualquer coisa definida, qualquer coisa última, qualquer coisa que tenha limites precisos e qualquer espécie de crença que se expresse em definições particulares – essas coisas são totalmente desagradáveis aos homens que adotam o princípio de encorajar todas as formas de opinião religiosa…

Pio XIIO próximo passo, pois, é a perseguição da verdade… [Na Roma antiga] existia toda sorte de confrarias, ordens, sociedade e etc.; no entanto, existia uma sociedade cuja existência não era permitida: a Igreja do Deus vivo. No meio dessa tolerância universal, havia uma exceção feita com a mais categórica severidade, a fim de eliminar a verdade e a Igreja de Deus da face da terra. Agora, isso é o que inevitavelmente sucederá mais uma vez, porque a Igreja de Deus é inflexível na missão de comunicá-la. A Igreja Católica nunca negociará uma doutrina que seja; ela nunca permitirá que duas doutrinas sejam ensinadas dentro de seus domínios; ela nunca obedecerá às determinações do governo civil em matérias de caráter espiritual. A Igreja Católica está obrigada pela Lei Divina a sofrer o martírio em vez de comprometer uma doutrina que seja, ou no lugar de obedecer à lei de um Estado que viole a consciência; e, mais do que isso, ela não somente está obrigada a oferecer uma desobediência passiva – que pode ser feita em um caso extremo -, mas a Igreja Católica não pode se calar; ela não pode se omitir; ela não pode cessar de pregar a doutrina da Revelação, não somente da Trindade e da Encarnação, mas também dos Sete Sacramentos e da Infalibilidade da Igreja de Deus, e da unidade necessária e da soberania tanto temporal quanto espiritual da Santa Sé; e, porque ela não vai se calar e porque não pode fazer concessões e nem pode obedecer a matérias que são de sua sua própria prerrogativa, por esse mesmo motivo ela está sozinha no mundo; pois não existe outra Igreja assim chamada, nem qualquer comunidade que professe ser Igreja, que não se submeta, não obedeça ou se omita quando o governo civil do mundo ordena…

Missa NovaTodos os Santos Padres que escreveram sobre o assunto do Anticristo e das profecias de Daniel, sem uma única exceção, até onde sei, tanto os Padres do Ocidente quanto os do Oriente, tanto os da Igreja Latina quanto os da Grega – todos eles unanimemente – dizem que no fim dos tempos, durante o reino do Anticristo, o Santo Sacrifício do Altar cessará. Na obra sobre o fim do mundo, escrita por Santo Hipólito, depois de uma longa descrição das aflições dos últimos dias, lemos o seguinte: “As Igrejas lamentarão com uma grande dor, pois lá não se oferecerá mais a oblação, nem incenso, nem um culto agradável a Deus. Os edifícios sagrados serão como choupanas; e o precioso Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo não se manifestará nesses dias; a Liturgia será extinta; o canto dos salmos cessará; a leitura das Sagradas Escrituras não se escutará mais. Mas existirá sobre os homens escuridão, luto sobre luto e aflição sobre aflição.” Então, a Igreja deverá ser abalada, conduzida para o deserto e deverá ser por um tempo, como no princípio, invisível, escondida em catacumbas, cavernas, montanhas, lugares ocultos; por um tempo deverá ser como se ela tivesse sido varrida da face da terra. Tal é o universal testemunho dos Padres dos primeiros séculos…

Missa Nova IIAs sociedades secretas tem de longa data minado e invadido a sociedade cristã da Europa e estão nesse momento lutando para cima de Roma, o centro de toda ordem cristã no mundo. O cumprimento da profecia está ainda por vir; e isso que nós temos visto acontecer a volta dela, devemos ver também acontecer no centro; o grande exército da Igreja de Deus por um tempo será abatido. Parece que será derrotado, por um tempo, e o poder dos inimigos das trevas por um momento prevalecerá. O sacrifício perpétuo desaparecerá e o santuário será devastado… se poderia entender essa profecia de desolação, entrando numa igreja que foi uma vez católica e que agora não é mais um sinal de vida; ela fica vazia, desabitada, sem altar, sem tabernáculo, sem a presença de Jesus…

E assim chegamos à terceira nota, a humilhação do “Príncipe Forte”; isto é, da divina autoridade da Igreja, e especialmente daquele no qual ela se personifica, o Vigário de Jesus Cristo… O destronamento do Vigário de Cristo é o destronamento da hierarquia da Igreja Universal e a rejeição pública da Presença e do Reinado de Jesus…

A tendência de todos os acontecimento que assistimos nesse momento é claramente essa, derrubar o culto católico por todo o mundo. Já observamos que todas os regimes da Europa estão excluindo a religião de seus atos públicos. Os poderes civis estão profanando-se a si mesmos; o governo está sem religião; e se o governo for sem religião, a educação deve ser sem religião. Já vimos isso na Alemanha e na França. Tem sido mais e mais vezes tentado na Inglaterra. O resultado pode ser nada além do restabelecimento da sociedade meramente natural; que é o mesmo que dizer que os governos e poderes do mundo, que por um tempo estiveram submetidos pela Igreja de Deus a crer na Cristandade, a obedecer aos preceitos divinos e à unidade da Igreja têm se revoltado contra ela e se profanado, tem recaído no seu estado puramente natural…

[Muitos] devem perderão sua fidelidade a Deus. E como essas coisas devem acontecer? Primeiro por temor, em parte pelo engano, em parte pela covardia, em parte porque eles não suportam ficar com uma verdade impopular perante uma mentira popular; em parte porque a rejeição da opinião pública, como ocorre nesse país e na França, reprime e amedronta os católicos que não se atrevem a confessar os seus princípios, e finalmente, não se atrevem a mantê-los…

O Verbo de Deus nos disse que no fim dos tempos os poderes desse mundo vão se tornar tão irresistíveis e triunfarão de tal modo que a Igreja de Deus afundará sob suas mãos – isto é, a Igreja de Deus não receberá mais a ajuda dos imperadores, reis ou príncipes, ou legisladores, nações e povos para fazer frente contra o poder e a força de seus inimigos. Ela será despojada de proteção. Ela será enfraquecida, prostrada e pisoteada pelos poderes desse mundo. Isso não parece inacreditável? O que, pois, vemos nesse tempo? Vede a Igreja Católica Romana pelo mundo. Quando foi que ela mais se assemelhou a sua Cabeça na hora que ele teve suas mãos e pés amarrados por aqueles que o traíram? Vede a Igreja Católica, ainda independente, fiel a sua missão divina e, contudo, rejeitada pelas nações do mundo; o Santo Padre, o Vigário de Nosso Senhor Jesus Cristo, nesse momento sendo zombado, despido, traído, roubado e há aqueles que defenderiam seu assassinato. Quando esteve a Igreja de Deus em pior condição, no débil entender humano, do que agora? E, então, eu me pergunto: de onde virá a libertação? Existe na terra algum poder que possa intervir? Existe algum rei, príncipe ou potentado que possa impor ou sua vontade ou sua espada para proteger a Igreja? Não há; e foi predito que deveria ser assim mesmo. Não é necessário esperar por esse libertador terreno, pois a vontade de Deus parece ser outra.

Porém, existe um Poder que destruirá todos os adversários; existe uma Pessoa que romperá e reduzirá a pó todos os inimigos da Igreja, pois Ele derrotará seus inimigos “com o sopro de sua boca” e os destruirá “com o fulgor de sua vinda”. Parece como se o Filho de Deus estivesse com ciúmes para que ninguém reivindicasse Sua autoridade. Ele chamou a batalha para Si mesmo. Ele investiu contra os que o rejeitaram e a profecia deixa claro que aquele que porá fim ao mal será Ele; que isso não será obra humana, mas obra do Filho de Deus; a fim de que todas as nações do mundo saibam que Ele, e somente Ele, é o Rei e entendam de uma vez por todas que Ele, e somente Ele, é Deus…

Os autores da Igreja contam-nos que nos últimos dias a cidade de Roma provavelmente se tornará apóstata da Igreja e do Vigário de Cristo; e que Roma novamente será castigada por isso; e o jugo de Deus recairá sobre o lugar onde ele uma vez reinou sobre as nações do mundo… Roma deve apostatar da fé e rechaçar o Vigário de Cristo, tornar ao seu antigo paganismo…

[Resumindo,] o Anticristo, e o movimento anticristão, terá as seguintes notas: primeiro, será um cisma da Igreja de Deus; segundo, negará o seu caráter divino e infalível e, terceiro, negará a Encarnação. Portanto, será o inimigo direto e mortal da Igreja Una, Santa, Católica e Romana – da unidade contra a qual se fazem os cismas; da única organização conduzida pelo Espírito de Deus; do sacrário e do santuário da Encarnação e do sacrifício perpétuo…

[FIM DO EXCERTO]

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Não duvido que você concordará que a explicação de Cardeal Manning sobre as profecias da Sagrada Escritura, que foram cumpridas e estão se cumprindo, são inspiradas e fascinantes, especialmente porque nós podemos reconhecer nelas muito do que tem acontecido em tempos recentes e, na verdade, ainda estão acontecendo. O que testemunhamos mais e mais é a preparação para o advento do Anticristo.

Observe como a todo momento o Cardeal Manning fala do Papa como sendo o Vigário de Cristo e a Cabeça Visível da Igreja e como o direto antagonista do Anticristo – nunca Sua Eminência sequer toca na ideia absurda, defendida por muitos dos assim chamados “católicos tradicionalistas” de hoje, segundo a qual o Papa mesmo seria parte do problema, uma espécie de “sócio” do Anticristo, como Francisco realmente é. Vemos, então, mais uma vez que a popular, embora falha e herética posição da “Resistência”, a qual reconhece Francisco como verdadeiro Papa, mas lhe recusa submissão e rejeita seus ensinamentos e leis, é completamente estranha ao pensamento, doutrina e profecia católica. Além do mais, isso é mais uma evidência de que os “Papas” do Vaticano II são charlatões, não genuínos Vigários de Cristo, em vez disso, são instrumentos de Satanás usados para destronar o verdadeiro Vigário de Cristo e prevenir ou impedir o seu governo.

Quando o Cardeal Manning escreveu sua obra em 1861, o movimento de apostasia, de certa forma, ainda se encontrava nos seus primeiros estágios. Desde então, a Grande Apostasia não recebeu maior força propulsora que a Igreja Modernista do Concílio Vaticano II (1962-65). Nada espalhou o naturalismo, as principais heresias da doutrina maçônica, com mais velocidade ou eficácia que as demandas conciliares em prol da liberdade religiosa, as quais puseram fim às nações católicas (tais como Espanha e Colômbia) e de fato exigiram uma separação entre Igreja e estado; como também a erradicação desta nas constituições dos países católicos, uma coisa que o Antipapa Paulo VI fez com muito prazer. Cristo Rei, o verdadeiro Rei dos indivíduos, sociedades e nações foi destronado pelo Vaticano II – um ato que prova que Paulo VI não foi Pedro, mas Judas, e que a igreja por ele dirigida não era a Igreja Católica de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas sim, por assim dizer, a Sinagoga de Anás e Caifás.

A perseguição da verdadeira Fé e da verdadeira Igreja pelos modernistas do Vaticano II tem sido extremamente bem-sucedida, como ela foi acelerada não somente pela malícia dos mentirosos, mas também por pessoas de muita boa vontade, inclusive aquelas que são vítimas da fraude. Como se disse acima, no entanto, citando Pe. Faber, isso somente torna maior o desastre e não altera a natureza ou diminui a gravidade desse problema.

Na sua introdução a O Papa e o Anticristo, que consiste numa carta dele ao Dr. John Henry Newman, Cardeal Manning diz: “Queira Deus guardar-nos de nos calarmos durante a perseguição de sua Igreja!” (p. 6). Ai daqueles, entendam ou não, que reconhecem a Seita Novus Ordo como a Igreja Católica e consideram seus falsos clérigos como legítimas autoridades católicas e ai daqueles que, sabendo a verdade, se calam sobre ela durante esse tempo de perseguição à verdadeira Igreja! Que você, caro leitor, não seja um deles.

Gostaria de encerrar esse longo post com uma nota positiva.

O que nós temos lido, embora seja realmente terrível, deveria nos dar grande consolo e esperança e provocar o aumento de nossa Fé. As explicações de Cardeal Mannig sobre a Grande Apostasia, a perseguição, a Paixão e aparente “Morte” da Igreja – todas essas coisas estão de acordo com o que testemunhamos hoje. Isso significa que aquilo que aconteceu desde a morte do Papa Pio XII e que estamos padecendo agora não está em contradição com os Desígnios de Deus, da mesma forma que a Crucifixão de Nosso Senhor não frustrou sua missão. Muito pelo contrário: tudo isso faz parte de sua Divina Vontade e se constitui como um prelúdio necessário para o perfeito cumprimento de seus desígnios. O que sofremos agora nesse tempo de inaudita inquietação e confusão não é um sinal de que as promessas de Deus têm falhado, antes é a prova de que as promessas de Deus estão se cumprindo. As profecias estão se cumprindo nesse exato momento.

Então, guarde no seu coração: Todas as coisas estão, por assim dizer, ocorrendo conforme o planejado – mas esse plano é o Caminho da Cruz, assim como foi para Nosso Senhor literalmente, será para a sua Igreja misticamente. Não é bonito ver esse caminho repleto de grande dor e humilhação, contudo este é o caminho – o único caminho – que há de nos levar para a glória eterna.


Novus Ordo Watch. The Pope and the Antichrist: The Great Apostasy Foretold, 23 abr. 2015. Disponível em: <http://novusordowatch.org/2015/04/the-pope-and-the-antichrist/>. Acesso em: 8 jun 2016.

3 comentários em “O Papa e o Anticristo: A Grande Apostasia Predita

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