A industria do entretenimento e o bem comum

Papa Pio XI com Cardeal Pacelli, futuro Pio XII, na inauguração da Radio Vaticana
Papa Pio XI com Cardeal Pacelli (futuro Pio XII) na inauguração da Rádio Vaticana, 12 de fevereiro de 1931.

O fim dos meios de comunicação social é o bem comum. Se o amor ao lucro ou simples falta de vergonha faz que seus donos ofereçam lixo aos seus clientes, eles devem ser devidamente punidos por isso. Eles são uma ameaça ao bem comum e devem ser multados ou mesmo banidos da indústria do entretenimento, e o produto que eles vendem deve ser censurado pelas autoridades e rejeitado pelas famílias.

A censura é um dispositivo de proteção contra esse tipo de injustiça. Uma “sociedade livre”, para usar o termo falacioso dos liberais, significa uma sociedade em que o mal é impunemente praticado, onde você pode enganar e manipular o seu próximo sem correr o risco de parar na cadeia. Essa é a sociedade da pornografia, do tráfico de drogas e do tráfico de órgãos humanos. Ela é a liberdade para fazer do próximo seu escravo, uma preza fácil de pessoas sem caráter. Em suma, uma sociedade sem censura é aquela que dá passe-livre a Satanás e suas maldades. É uma falta de caridade sem nome, uma vergonha e um câncer social.

A Cristandade sempre promulgou leis que impediam a proliferação desse tipo de aproveitador, mas o fato é que os políticos e empresários modernos são um bando de vendidos, o coração deles fica no bolso. Eles adoram o bezerro de ouro e, por isso mesmo, já não tem liberdade para servir a Deus e amar o seu próximo. “Liberdade de expressão” nada mais é que o termo utilizado para mascarar a liberdade de mentir, enganar e explorar os demais impunemente.

EXCERTOS DE DOCUMENTOS DO MAGISTÉRIO DA IGREJA SOBRE FILMES, TELEVISÃO, RÁDIO E OUTRAS TECNOLOGIAS

  • Mas o assunto é de tal importância, principalmente nas condições atuais da sociedade, que julgamos necessário tratá-lo de novo, nesta carta, e desenvolvê-lo mais circunstancialmente, traçando diretrizes que correspondam às necessidades presentes, […] é mui necessário e urgente cuidar para que os progressos da ciência e da arte, e mesmo das artes da indústria técnica, verdadeiros dons de Deus, sejam dirigidos de tal modo à glória de Deus, à salvação das almas, à extensão do reino de Jesus Cristo sobre a terra, que todos, como a Igreja nos faz rezar, “aproveitemos os bens temporais de modo a não perder os bens eternos”. Ora, facilmente todos podem verificar que os progressos do cinema, quanto mais maravilhosos se tornam, mais perniciosos foram para a moralidade e para a religião, e mesmo para a honestidade do Estado civil. (Pio XI, Vigilanti Cura, n. 6).
  • Enquanto a produção de figuras realmente artísticas, de cenas humanas e ao mesmo tempo virtuosas exige um esforço intelectual, trabalho, habilidade e também uma despesa grande, é relativamente fácil provocar certa categoria de pessoas e de classes sociais com representações que excitam as paixões e despertam os instintos inferiores, latentes no coração humano. (Pio XI, Vigilanti Cura, n. 14).
  • Não há como negar que o recreio corporal e espiritual, nas múltiplas formas que esta época o proporciona, tornou-se uma necessidade para os que se cansam nas ocupações e cuidados da vida, mas ele deve ser consoante com a dignidade do homem e a honestidade da moral; deve elevar-se ao nível de fator positivo para o bem e deve despertar nobres sentimentos. Um povo que, em seus momentos de repouso, entrega-se a prazeres que ferem o pudor, a honra, a moral, divertimentos que constituem uma ocasião do pecado, especialmente para a mocidade, corre o perigo de perder sua grandeza e seu poder. (Pio XI, Vigilanti Cura, n. 16).
  • A cinematografia realmente é para a maioria dos homens uma lição de coisas que instrui mais eficazmente no bem e no mal, do que o raciocínio abstrato. É, pois, necessário que o cinema, erguendo-se ao nível da consciência cristã, sirva à difusão dos seus ideais e deixe de ser um meio de depravação e de desmoralização. (Pio XI, Vigilanti Cura, n. 20).
  • É geralmente sabido o mal enorme que os maus filmes produzem na alma. Por glorificarem o vício e as paixões, são ocasiões de pecado; desviam a mocidade do caminho da virtude; revelam a vida debaixo de um falso prisma; ofuscam e enfraquecem o ideal da perfeição; destroem o amor puro, o respeito devido ao casamento, as íntimas relações do convívio doméstico. Podem mesmo criar preconceitos entre indivíduos, mal-entendidos entre as várias classes sociais, entre as diversas raças e nações. (Pio XI, Vigilanti Cura, n. 21).
  • As boas representações podem, pelo contrário, exercer uma influência profundamente moralizadora sobre seus espectadores. Além de recrear, podem suscitar uma influência profunda para nobres ideais da vida, dar noções preciosas, ministrar amplos conhecimentos sobre a história e as belezas do próprio país, apresentar a verdade e a virtude sob aspecto atraente, criar e favorecer, entre as diversas classes de uma cidade, entre as raças e entre as várias famílias, o recíproco conhecimento e amor, abraçar a causa da justiça, atrair todos à virtude e coadjuvar na constituição nova e mais justa da sociedade humana. (Pio XI, Vigilanti Cura, n. 22).
  • As variadíssimas cenas no cinema são representadas por homens e mulheres escolhidos sob o critério da arte e de um conjunto de qualidades naturais, e que se exibem num aparato tão deslumbrante a se tornarem às vezes uma causa de sedução, principalmente para a mocidade. O cinema ainda tem a seu serviço a música, as salas luxuosas, o realismo vigoroso, todas as formas do capricho na extravagância. E por isso seu encanto se exerce com um atrativo particular sobre as crianças e os adolescentes. Justamente na idade, na qual o senso moral está em formação, quando se desenvolvem as noções e os sentimentos de justiça e de retidão, dos deveres e das obrigações, do ideal da vida, é que o cinema toma uma posição preponderante. (Pio XI, Vigilanti Cura, n. 25).
  • E, infelizmente, no atual estado de coisas, é geralmente para o mal que o cinema exerce sua influência. Quando pensamos na ruína de tantas almas especialmente de moços e de crianças, cuja integridade e castidade periga nas salas de cinema, vem à Nossa mente a terrível sentença de Nosso Senhor contra os corruptores dos pequenos: “O que escandalizar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço a mó que um asno faz girar e que o lançassem no fundo do mar”. (Mt 18,6). É uma das supremas necessidades do nosso tempo fiscalizar e trabalhar com todo afinco para que o cinema não seja uma escola de corrupção, mas que se transforme em um precioso instrumento de educação e de elevação moral. (Pio XI, Vigilanti Cura, n. 26).
  • Aqui lembramos com viva satisfação que certos governos, preocupados com a influência do cinema no domínio moral e educativo, criaram, por meio de pessoas probas e honestas, principalmente com pais e mães de família, comissões especiais de censura, como também organismos indicadores para a produção cinematográfica, orientando sua inspiração para obras nacionais de seus grandes poetas e escritores. (Pio XI, Vigilanti Cura, n. 27).
  • […] é também dever dos Bispos de todo o orbe católico unirem-se para fiscalizar esta universal e poderosa forma de diversão e de ensino, para fazer prevalecer como motivo de proibição do mau cinema, a ofensa feita ao sentimento religioso e moral e a tudo que é contrário ao espírito cristão e a seus princípios éticos, não se cansando de combater tudo que contribui para enfraquecer ou extinguir no povo o sentimento da decência e da honra. É um dever que compete não somente aos Bispos, mas também a todos os católicos e a todos os homens honestos que amam a dignidade e a saúde moral da família, da nação, e em geral da sociedade humana. (Pio XI, Vigilanti Cura, n. 28).
  • Os bispos do mundo inteiro, porém, devem esforçar-se para esclarecer os industriais do cinema, fazendo-os compreender que uma força tão poderosa e universal pode ser dirigida utilmente para um fim muito elevado, como seja o aperfeiçoamento individual e social da humanidade. E não é só questão de evitar o mal. Os filmes não devem somente ocupar as horas vagas de lazer, mas podem e devem, por sua força magnífica, ilustrar as mentes dos espectadores e dirigi-los positivamente para todas as virtudes. (Pio XI, Vigilanti Cura, n. 33).
  • Antes de tudo, todos os pastores de almas se esforçarão por obter dos fiéis que façam anualmente, como os católicos dos Estados Unidos da América, a promessa de se absterem dos filmes que ofendem a verdade e as instituições cristãs. Este compromisso pode ser obtido de modo mais eficaz por meio da Igreja paroquial ou das escolas; e para este fim os bispos reclamarão a diligente cooperação dos pais e das mães de família, que têm, nesta matéria, graves deveres e responsabilidades. Igualmente podem usar da imprensa católica, que mostrará, com afinco e proveito, a importância desta santa cruzada. (Pio XI, Vigilanti Cura, n. 34).
  • De fato, de um lado vemos que em não poucos países os preceitos cristãos e a religião católica não são tidos na necessária consideração. Turbas de cidadãos, especialmente do povo menos instruído, com facilidade são atraídas por erros amplamente divulgados e, não raro, revestidos da aparência da verdade; as lisonjas e os incentivos do vício, que com influxos nefastos perturbam os ânimos, por meio de publicações de todo gênero, de espetáculos cinematográficos e de televisão corrompem especialmente a juventude incauta. Muitos escrevem e difundem as suas obras não para servirem à verdade e à virtude, e nem para proporcionarem um justo passatempo aos leitores, mas sim para, com objetivo de lucro, lhes excitarem as turvas paixões; ou para ofender e enlamear com mentiras, calúnias e ofensas tudo aquilo que é sagrado, nobre e belo. Muitas vezes – é doloroso dizê-lo – a verdade é deturpada; e dá-se público relevo a coisas falsas e vergonhosas. Não há, pois, quem não veja quanto mal daí promane para a própria sociedade, e quanto dano para a Igreja. (Pio XII, Meminisse Iuvat, n. 6).
  • Mas essa fuga e vigilância, para não nos expormos as ocasiões de pecado, parece que não são hoje compreendidas por todos, apesar de os santos as terem considerado sempre o melhor meio de luta nesta matéria. Pensam de fato alguns que os cristãos, e especialmente os sacerdotes, já não devem ser uns separados do mundo como outrora, mas devem pelo contrário estar presentes ao mundo e, por conseguinte, arrostar o perigo e pôr à prova a sua castidade, para assim se patentear se têm ou não suficiente força para resistir. Vejam, portanto, tudo os jovens clérigos, para se habituarem a encarar tudo sem perturbação e para se imunizarem assim contra toda a espécie de tentações. Desse modo, facilmente lhes permitem fixar sem resguardo tudo o que lhes cai debaixo dos olhos, frequentar cinemas, mesmo para ver películas proibidas pelos censores eclesiásticos, percorrer toda a espécie de ilustrações, mesmo que sejam obscenas, e ler até os romances que estão no Índex ou que proíbe o direito natural. Concedem-lhes tudo isso sob pretexto de que hoje grande parte das pessoas alimenta o espírito com esses espetáculos e publicações, e que é preciso que aqueles a quem hão de ajudar, lhes compreendam a maneira de pensar e sentir. É fácil de ver a falsidade e o perigo de tal maneira de formar o clero e de o preparar para a santidade da sua missão: pois “quem ama o perigo nele perecerá” (Eclo 3,27 Vulg.). A recomendação de santo Agostinho não perdeu nada da sua oportunidade: “Não digais que tendes almas puras se tendes olhos impuros, porque os olhos impuros são mensageiros dum coração impuro”. (Pio XII, Sacra Virginitas, n. 33).
  • Deverão recordar-se também que um dos fins principais da classificação moral é esclarecer a opinião pública e educá-la no respeito e apreço dos valores morais; sem estes não se pode ter nem verdadeira cultura nem civilização. Seria portanto reprovável qualquer indulgência com os filmes que, apresentando embora valores técnicos, ofendem a ordem moral, ou, respeitando na aparência os bons costumes, contêm elementos contrários à fé católica. (Pio XII, Miranda Prorsus).
  • Repetindo as recomendações do Nosso Predecessor de feliz memória na Encíclica Vigilanti Cura, recomendamos vivamente, onde for possível e suposta a conveniente preparação, que se convidem os fiéis a renovar o compromisso pessoal de observar fielmente a obrigação, que todos os católicos têm, de se informar sobre os juízos morais e de conformar com estes o próprio proceder. (Pio XII, Miranda Prorsus).
  • Devemos também lembrar com insistência o dever grave de excluir a publicidade comercial insidiosa ou indecente, mesmo se feita, como às vezes acontece, em favor de filmes que não são maus. “Quem poderá dizer quantas ruínas de almas, especialmente juvenis, provocam tais imagens, que pensamentos impuros e que sentimentos podem despertar, e quanto contribuem para a corrupção do povo, com grave prejuízo até da prosperidade da nação?” (Pio XII, Miranda Prorsus).
  • As recomendações que demos aos empresários, aplicam-se também aos distribuidores. Estes, financiando até não raro as produções, terão maior possibilidade, e por conseguinte mais grave dever, de apoiar o cinema moralmente são. Distribuir filmes, de fato, não pode de modo nenhum ser considerado mera função técnica, porque – como já recordamos repetidamente – não se trata de simples mercadoria, mas de alimento intelectual e escola de formação espiritual e moral das massas. O que distribui e o que aluga, filmes participam portanto dos méritos ou das responsabilidades morais em tudo o que diz respeito ao bem ou ao mal causado pelo cinema. (Pio XII, Miranda Prorsus).
  • Aos produtores e diretores de produção católicos pedimos Nós não permitam a realização de filmes contrários à fé e à moral cristã, mas se isto (o que Deus não permita) viesse a suceder, os Bispos não deixarão de adverti-los usando mesmo, se o caso o pedisse, das sanções oportunas. (Pio XII, Miranda Prorsus).
  • Ao terminar estas considerações específicas acerca do cinematógrafo, exortamos as autoridades civis a não auxiliarem, por forma alguma, a produção ou programação de filmes moralmente inferiores, e a encorajarem com medidas apropriadas as boas produções cinematográficas, especialmente as destinadas á juventude. Entre as ingentes despesas do Estado para fins de educação não pode faltar o esforço e empenho na solução positiva de um problema educativo de tanta importância. (Pio XII, Miranda Prorsus).
  • Portanto, o primeiro dever do radiouvinte é a apurada escolha dos programas. A transmissão radiofônica não deve ser um intruso, mas um amigo que entra no lar, mediante convite consciente e livre. Ai daquele que não sabe escolher os amigos que introduz no santuário da família! As transmissões admitidas em nossa casa deverão ser apenas as portadoras de verdade e de bem, as que não distraem, antes ajudam os membros da família ao cumprimento dos próprios deveres pessoais e sociais, e as que, se se trata de jovens e crianças, longe de prejudicar, revigoram e prolongam a obra sãmente educativa dos pais e da escola. (Pio XII, Miranda Prorsus).
  • Os Pastores de almas lembrarão por isso aos fiéis que a Lei de Deus proíbe ouvir transmissões prejudiciais para a sua fé ou para a sua vida moral, e exortarão os que têm cuidado da juventude à vigilância e à sapiente educação do sentido das responsabilidades, perante o uso do aparelho receptor admitido no lar. (Pio XII, Miranda Prorsus).
  • É óbvio que a assistência à Santa Missa pela televisão – como há alguns anos dissemos – não é a mesma coisa que a assistência física ao Sacrifício Divino requerida para cumprir o preceito dos dias festivos. Todavia, os frutos copiosos que, para o incremento da fé e santificação das almas, provêm das transmissões televisivas das cerimônias litúrgicas, para aqueles que não podem, com presença normal, assistir a elas, induzem-Nos a encorajar estas transmissões. (Pio XII, Miranda Prorsus).
  • “Uma pequena porção de fermento corrompe toda a massa”. Se na vida física dos jovens um gérmen de infecção pode impedir o desenvolvimento normal do corpo; quanto mais, um elemento permanentemente negativo na educação poderá comprometer o equilíbrio espiritual e o desenvolvimento moral! E quem não sabe como, tantas vezes, a própria criança que resiste ao contágio de uma doença na rua, se mostra falta de resistência se a fonte do contágio se encontra na própria casa? A santidade da família não pode ser objeto de compromissos, e a Igreja não se cansará, como é seu pleno direito e dever, de empenhar todas as forças para que este santuário não venha a ser profanado pelo mau uso da televisão. Com a grande vantagem de entreter mais facilmente, adentro das paredes domésticas, grandes e pequenos, a televisão pode contribuir para reforçar os liames do amor e da fidelidade na família, mas sempre com a condição de não vir a prejudicar as mesmas virtudes da fidelidade, da pureza e do amor. (Pio XII, Miranda Prorsus).
  • A vigilância prudente e avisada de quem recebe em sua casa a transmissão é insubstituível. A moderação no uso da televisão, a admissão prudente dos filhos a presenciar programas segundo a sua idade, a formação do caráter e do reto juízo acerca dos espetáculos vistos e, finalmente, o afastá-los dos programas inconvenientes, incumbem, como grave dever de consciência aos pais e aos educadores. Bem sabemos que especialmente este último ponto, poderá, criar situações delicadas e difíceis, e o sentido pedagógico muitas vezes exigirá dos pais darem bom exemplo também com o sacrifício pessoal em renunciarem a determinados programas. Mas seria porventura demasiado pedir aos pais um sacrifício, quando está em jogo o bem supremo dos filhos? (Pio XII, Miranda Prorsus).

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