Luxúria, orgulho, cobiça e impiedade: Mais alguns fatos sobre a Reforma Protestante

O espírito do protestantismo, ou o espírito da revolta contra Deus e sua Igreja, brotou da luxúria, obstinação e cobiça dos reformadores. Lutero, apesar do voto solene que fizera de guardar a castidade, casou-se com uma freira, a qual também estava obrigada a guardar o voto religioso; mas, como São Jerônimo diz, “é raro encontrar um herege que ame a castidade.”

O exemplo de Lutero foi antecipado por Carlostadtius, sacerdote e líder dos sacramentarianos, que havia se casado um pouco antes; em breve, ele seria seguido pela maioria dos chefes da Reforma.

Zuínglio, um sacerdote e chefe da seita que leva o seu nome, tomou para si uma esposa.

Bucer, membro da Ordem de São Domingos, tornou-se luterano, abandonou seu claustro e casou-se com uma freira.

Oekolampad, um monge de Santa Brígida, tornou-se zuingliano e também se casou.

Cranmer, Arcebispo de Cantuária, tinha também sua esposa.

Pietro Martire, um cônego regular, abraçou a doutrina de Clavino, mas seguiu o exemplo de Lutero, casando-se com uma freira.

Ochin, Geral dos Capuchinhos, tornou-se luterano e também se casou.

Assim, os principais chefes da Reforma saíram pregando o novo evangelho com duas notas sobre si: a apostasia da fé e a aberta violação dos mais sagrados votos.

A luxúria, como foi dito, também levou o rei Henrique da Inglaterra a separar-se da Igreja Católica, o que o colocou no número dos reformadores.

Não se poderia esperar que esses homens ímpios pregassem uma doutrina santa; eles pregavam uma “liberdade evangélica”, como eles diziam, de que nunca se ouviu falar antes. Eles diziam aos homens que já não era mais preciso se submeter a sua antiga compreensão dos mistérios da fé, regulando suas vidas conforme as leis da moralidade cristã; eles diziam que todos eram livres para modelar a sua crença e prática conforme suas inclinações. Procurando introduzir uma doutrina flexível, eles dissecaram a fé católica até reduzi-la a um mero esqueleto; assim eles negaram a realidade do corpo e do sangue de Cristo na Santa Eucaristia, o divino sacrifício de Cristo oferecido na Missa, a confissão dos pecados, a maioria dos sacramentos,  os exercícios penitenciais, vários livros canônicos das Escrituras, a invocação dos santos, o celibato, a maioria dos concílios da Igreja, e todas as autoridades vigentes da Igreja; eles perverteram a natureza da justificação, afirmando que somente a fé basta para justificar o homem; e, sustentando que a observância aos mandamentos era impossível, eles fizeram de Deus o autor do pecado.

Isso é precisamente o que algumas amostras da doutrina de Lutero revelam: “Os mandamentos de Deus são todos igualmente impossíveis.” (De Lib. Christ., t. ii., fol. 4.) “Nenhum pecado pode danar um homem, exceto a falta de fé.” (De Captiv. Bab., t. ii., fol. 171.) “Deus é justo embora nos sujeite à danação por sua própria vontade,  e apesar de danar aqueles que não o mereçam” (Tom. ii., fol. 434, 480.) “Deus obra em nós tanto o bem quanto o mal” (Tom. ii., fol. 444.) “O corpo de Cristo está em toda parte, não menos que a sua divindade mesma.” (Tom. iv., fol. 3.) E ainda, por seu caro princípio de justificação pela fé, ele afirma em seu 11º artigo contra o Papa Leão: “Crê fortemente que estás absolvido e absolvido tu serás, seja com contrição ou não.”

E de novo no sexto artigo: “A contrição que é adquirida pelo exame, meditação e detestação dos próprios pecados, pela qual um homem recorda sua vida passada e fica na amargura de sua alma refletindo sobre a perversidade e multidão de suas ofensas,  a perda da felicidade eterna e a condenação ao sofrimento eterno – essa contrição, digo, faz do homem um hipócrita, ou melhor, faz dele um pecador ainda maior.”

Assim, depois de uma vida imoral, um homem tem um compendioso método de salvar a si mesmo: simplesmente crer que seus pecados foram redimidos pelos méritos de Cristo.

Como Lutero previu o escândalo que surgiria de seu próprio e de outros casamentos igualmente sacrílegos, ele preparou o mundo para isso, escrevendo contra o celibato do clero e todos os votos religiosos; doravante ele terá muitos imitadores. Ele proclamou que todos esses votos “eram contrários à fé, aos mandamentos de Deus e à liberdade evangélica.” (De Votis Monast.) Ele disse novamente: “Deus reprova tais votos de vida em continência, tal como reprovaria se eu prometesse me tornar a mãe de Deus, ou tomasse a resolução de criar um novo mundo.” (Epist. ad Wolfgang Reisemb.) E de novo: “Tentar viver solteiro é simplesmente lutar contra Deus.”

Ora, quando se soltam as rédeas à depravação da natureza, não admira que dela se sigam as práticas mais escandalosas. De fato, um exemplo impressionante desse tipo apareceu em 1539, quando foi concedido a Felipe, conde de Hesse, licença para ter duas esposas ao mesmo tempo, tal licença foi assinada por Lutero, Melanchthon, Bucer e mais outros cinco pregadores protestantes.

Por outro lado, uma larga porta foi aberta para uma outra sorte de escândalo: a doutrina da Reforma admitia divórcios do casamento em certos casos, contrariando a doutrina do Evangelho, e até mesmo permitia que os consortes se separassem para casar com outras esposas e maridos.

João Calvino, o heresiarca de Genebra
João Calvino (1509-1564), o heresiarca de Genebra.

Enumerar os erros de todos os reformadores excederia os limites desse tratado. Portanto, limitar-me-ei às principais máximas das doutrinas de Calvino e dos calvinistas:

  1. O batismo não é necessário à salvação
  2. As boas obras não são necessárias
  3. O homem não possui livre-arbítrio
  4. Adão não poderia ter evitado a queda
  5. Grande parte da humanidade foi criada para a danação, independentemente de seus deméritos
  6. O homem é justificado pela fé e, uma vez que se obtenha a fé, ela jamais será perdida, nem mesmo cometendo-se os crimes mais horríveis
  7. Os verdadeiros fiéis estão certos de sua salvação
  8. A Eucaristia não é mais que o símbolo do corpo e do sangue de Cristo

Foi assim que se subverteu todo o sistema de fé e moral. Eles aboliram completamente a Tradição, e apesar de não poderem rejeitar a Escritura inteira, posto que ela era universalmente reconhecida como a palavra de Deus, eles tiveram, contudo, a presunção de retirar alguns livros que não concordavam com as suas próprias opiniões, quanto ao que sobrou, rogaram para si o direito de explicá-lo como lhes parecesse melhor.

Às almas pias, eles prometeram um retorno ao fervor dos primeiros cristãos; aos orgulhosos, a liberdade do julgamento privado; aos inimigos do clero, prometeram a divisão de seus despojos; aos sacerdotes e monges que estavam cansado do jugo do celibato, a abolição da lei que, como diziam, era contra a natureza; aos libertinos de todas as classes, a supressão de todo jejum, abstinência e confissão. Eles disseram aos reis que desejavam colocar a si mesmos como chefes tanto da Igreja como do Estado, que eles seriam libertos da autoridade espiritual da Igreja; aos nobres, que eles seriam emancipados de deveres e serviços obrigatórios.

Vários príncipes da Alemanha e do Suíça apoiaram com armas os pregadores de novas doutrinas. Henrique VIII impôs sua doutrina a seus súditos. O rei da Suécia levou o seu povo para a apostasia. O conde de Navarra recebeu os calvinistas; o conde de França favoreceu-os em segredo.

Por longo tempo o Papa Paulo III convocou a todos para o Concílio Ecumênico de Trento, aquele que os heresiarcas pediram. Não só os bispos católicos, mas também foram convidados a comparecer todos os príncipes cristãos e mesmo protestantes.

Mas eis que agora o espírito de orgulho e obstinação se tornou mais patente. Henrique VIII respondeu ao Papa que jamais confiaria o trabalho de reformar a religião em seu reino a ninguém senão ele próprio. Os príncipes apóstatas da Alemanha disseram ao legado papal que eles reconheciam somente o imperador como seu soberano; o Vice-Rei de França não permitiu senão quatro bispos de comparecerem ao concílio; Carlos V criou dificuldades e pôs obstáculos no caminho; Gustavo Vasa não deixou ninguém comparecer ao concílio. Os heresiarcas também se recusaram a aparecer.

O concílio, no entanto, aconteceu a despeito de todos esses contratempos. Ele durou mais de dezoito anos, porque ele foi frequentemente interrompido pela praga, pela guerra e pela morte daqueles que o presidiam. A doutrina dos inovadores foi examinada e condenada pelo concílio, na última sessão do qual haviam mais de trezentos bispos, dentre os quais nove eram cardeais, três patriarcas, trinta e três arcebispos, sem mencionar os dezesseis abades ou gerais de ordens religiosas e cento e quarenta e oito teólogos. Todos os seus decretos foram lidos novamente desde o começo e foram novamente aprovados e assinados por todos os Padres.

Em consistório realizado a 26 de janeiro de 1564, Pio IV devidamente aprovou e confirmou o concílio em um livro que foi assinado por todos os cardeais. Ele elaborou no mesmo ano uma profissão de fé que era em todos os respeitos conforme às definições de concílio, na qual declarava sua autoridade; e desde aquele tempo, não só todos os bispos da Igreja Católica, mas todos os sacerdotes que são chamados para ensinar o caminho de salvação, mesmo para crianças, ou melhor, mesmo não católicos ao abjurarem os seus erros e retornarem para o seio da Igreja, fazem o juramento de que eles não tem outra fé senão aquela do Santo Concílio.

Os novos heresiarcas, porém, continuaram a obscurecer e desfigurar a face da religião. Assim Lutero, por exemplo, revela seus sentimentos sobre o Papa, bispos, concílios etc. no Prefácio de seu livro, De Abroganda Missa Privata: “Com quantos remédios poderosos e as Escrituras mais evidentes eu pude fortificar a minha consciência para ousar sozinho contradizer o Papa e crer que ele é o Anticristo, os bispos seus apóstolos e as universidades suas zonas de prostituição” e no seu livro, De Judicio Ecclesiae de Gravi Doctrina, ele afirma: “Cristo tomou dos bispos, doutores e concílios o direito e o poder de julgar controvérsias e deu-os aos cristãos em geral.”

A sua censura ao Concílio de Constança e aqueles que o compuseram é a seguinte: “Todos os artigos de John Huss foram condenados em Constança pelo Anticristo e seus apóstolos.” (referindo-se ao Papa e aos bispos) “naquele Sínodo de Satanás composto pelos mais perversos sofistas; e a vós, ó santíssimo Vigário de Cristo, eu vos digo com simplicidade perante de vossa face, que todas as doutrinas de John Huss são doutrinas evangélicas e cristãs, mas todas as vossas são ímpias e diabólicas. Eu agora vos declaro”, diz ele falando dos bispos, “doravante eu não vos renderei honra de modo a submeter a mim ou minha doutrina ao vosso julgamento ou àquele de um anjo do céu”.” (Prefácio ao seu livro Adversus falso nominatum ordinem Episcoporum.)

Tal era seu espírito de orgulho que fez profissão aberta de seu desprezo pela autoridade da Igreja, Concílios e Padres, dizendo: “Todos aqueles que arriscam suas vidas, sua honra e seu sangue em um trabalho tão cristão quanto esse de exterminar todos os bispados e bispos, que são os ministros de Satanás, e arrancar pelas raízes toda sua autoridade e jurisdição no mundo – essas pessoas são verdadeiros filhos de Deus e seguem seus mandamentos.” (Contra Statum Ecclesiae et falso nominatum ordinem Episcoporum)

Esse espírito de orgulho e obstinação também fica evidente pelo fato de que o protestantismo nunca se envergonhou de fazer uso de qualquer argumento, ainda que fosse frívolo, inconsistente ou absurdo, para defender seus erros e caluniar e deturpar a religião católica de todos os modos possíveis. Ele se revela novamente nas guerras que o protestantismo moveu para introduzir e manter-se a si mesmo. Os príncipes apóstatas da Alemanha entraram em liga, ofensiva e defensiva, contra o Imperador Carlos V e tomaram armas para estabelecer o protestantismo.

Lutero pregou a licenciosidade e caluniou o imperador, os príncipes e os bispos. Os camponeses não tardaram em se desvencilhar de seus mestres. Eles percorreram o país em bandos sem lei, queimando castelos e mosteiros e cometendo as mais bárbaras atrocidades durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Mais que mil homens morreram em batalha; sete cidades foram arrasadas, mil casas religiosas foram deitadas abaixo; trezentas igrejas e inúmeras riquezas dos santuários, pinturas, bibliotecas etc. foram destruídas.

Mas o que é mais patente e bem conhecido que a cobiça do protestantismo? Onde quer que o protestantismo tenha firmado seu pé, ali mesmo ele saqueou igrejas, confiscou propriedades eclesiásticas, destruiu mosteiros e tomou para si as suas rendas.

Na França, os calvinistas destruíram vinte mil igrejas católicas; eles assassinaram, só em Dauphiné, duzentos e vinte e cinco padres, cento e vinte monges e queimaram nove mil vilas. Na Inglaterra, Henrique VIII confiscou para a coroa ou distribuiu entre seus favoritos a propriedade de seis mil e quarenta e cinco mosteiros e noventa colégios, cento e dez hospitais e duas mil trezentas e setenta e quatro capelas.

Eles até ousaram profanar, com mãos sacrílegas, os restos dos mártires e confessores de Deus. Em muitos lugares, fazendo uso de violência, tomaram os santos corpos dos relicários onde eram guardados, os queimaram e lançaram fora as suas cinzas. Que ultraje maior pode ser concebido? Os parricidas ou os mais hediondos dos homens são tratados de maneira mais desprezível? Entre outros exemplos, em 1562 os calvinistas quebraram o Santuário de São Francisco de Paula em Plessis-Lestours e, encontrando seu corpo incorrupto já passados cinquenta e cinco anos de sua morte, eles o arrastaram pelas estradas e queimaram em um fogueira, a qual foi preparada com a lenha de um grande crucifixo, conforme afirma Billet e outros historiadores.

Assim também sucedeu em Lião, onde no mesmo ano os calvinistas capturaram o santuário de São Boaventura e despojaram-no de suas riquezas, queimaram as relíquias do santo no mercado público e lançaram suas cinzas no rio Saône como foi relatado pelo sábio Possevinus, que esteve em Lião naquele tempo.

Também os corpos de Santo Irineu, Santo Hilário e São Martinho, como afirma Surius, foram tratados da mesma forma ignominiosa. Tal também foi o tratamento oferecido aos restos de São Tomás, Arcebispo de Cantuária, cujo santuário, nas palavras de Stowe em seus anais, “foi tomado para o uso do rei, e os ossos de São Tomás foram queimados em setembro de 1538 sob as ordens de Cromwell.”

A religião católica cobriu o mundo com monumentos sublimes. O protestantismo já existe por três séculos; ele foi poderoso na Inglaterra, Alemanha e América do Norte. O que ele produziu? Ele nos mostra as ruínas que tem feito, no meio das quais plantou alguns jardins ou estabeleceu algumas fábricas. A religião católica é essencialmente um poder criativo, que é edifica e não destrói, porque ela está sob a direta influência daquele Espírito que a Igreja invoca como o Espírito Criador, “Creator Spiritus”. Já o espírito protestante ou o espírito da filosofia moderna é um princípio de destruição, um espírito de perpétua decomposição e desunião. Depois de quase quatro seculos sob o jugo da Inglaterra protestante, a Irlanda rapidamente foi ficando tão desprovida de seus antigos memoriais quanto os desertos africanos.

Os próprios reformadores ficaram tão envergonhados com o avanço da imoralidade entre seus prosélitos que não puderam deixar de queixar-se disso. Assim disse Lutero: “Os homens do presente são mais vingativos, passionais e licenciosos do que eram mesmo no tempo do Papado” ( Postil. super Evang. Dom. i., Advent.) E de novo: “Outrora, quando éramos seduzidos pelo Papa, todo homem estava disposto a realizar boas obras, mas agora ninguém quer saber de outra coisa senão como conseguir tudo para si mesmo por meio de isenções, pilhagem, roubo, mentira e usura.” ( Postil. super Evang. Dom. xxvi., p. Trinit.)

Calvino escreveu no mesmo tom: “Dos milhares”, disse ele, “que, renunciando ao Papado, pareciam abraçar o Evangelho com fervor, quão poucos tem emendado suas vidas! Ou melhor, que outra coisa a maior parte pretendera que não fosse livrar-se do jugo da superstição para então se darem mais liberdade para seguir toda sorte de dissolução?” (Liber de scandalis.) O Dr. Heylin, em sua História da Reforma, também reclamava do “grande aumento do vício” na Inglaterra durante o reinado de Eduardo VI.

Erasmo disse: “Observe essas pessoas evangélicas, os protestantes. Talvez seja infortúnio, mas eu ainda não encontrei um que não tenha mudado para pior.” (Epist. ad Vultur. Neoc.) E novamente: “Algumas pessoas”, disse ele, “que eu conhecia antes como criaturas inocentes, inofensivas e sem qualquer falsidade, não muito depois de tê-las visto ingressar naquela seita (os protestantes), passam a falar palavrões, jogar dados, abandonar as orações, tornar-se extremamente mundanas, mais impacientes, vingativas, fúteis como víboras, provocando-se umas as outras. Eu falo por experiência própria.” (Ep. ad Fratres Infer. Germanae.)

M. Scherer, o diretor de uma escola protestante em França escreveu em 1844 que ele viu na sua Igreja Reformada “a ruína de toda verdade, a fraqueza da divisão infinita, a agitação do rebanho, a anarquia eclesiástica. O socinianismo envergonhou-se de si mesmo, o racionalismo o encobriu qual uma bolha sem doutrina e sem consistência. Esta Igreja, privada de seu caráter coletivo e dogmático, de sua forma e de sua doutrina, privada de tudo aquilo que constitui uma igreja cristã, não representa senão um cadáver, um fantasma ou, se preferir, uma memória ou esperança. No que toca a autoridade dogmática, a falta de fé penetrou em três quartos de nossos pupilos.” ( L’ Etat Actual deL’Eglise Reformée en France, 1844.)

Assim tem sido o protestantismo desde o princípio. Isso está escrito com sangue e fogo nas páginas da história. Quer tome a forma de luteranismo na Alemanha, Dinamarca e Suécia; de anglicanismo na Grã-Bretanha ou calvinismo e presbiterianismo na Suíça, França, Holanda, Escócia e América do Norte, ele tem sido em toda parte a mesma coisa. Ele tem se estabelecido pelo tumulto e violência; se espalhado pela força e perseguição; enriquecido às custas de pilhagem e por meio da força, leis e calúnias, nunca cessou de tentar exterminar a fé católica e destruir a Igreja de Cristo, a qual os pais do protestantismo deixaram em virtude de sua luxúria, orgulho e cupidez – um espírito que levou tantos de seus compatriotas a seguirem seus exemplos perversos; um espírito que os teria levado a perdição de qualquer maneira, ainda que tivessem permanecido na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.

Portanto, a principal característica do protestantismo sempre foi declarar todo homem independente da autoridade divina da Igreja Católica Romana, substituindo-a por uma autoridade humana. O Papa Pio IX, falou do protestantismo, em todas as suas formas, como uma “revolta contra Deus, uma tentativa de substituir a autoridade divina pela humana, e uma declaração de independência da criatura para com o Criador.” “Um verdadeiro protestante, portanto,” diz o sr. Marshall, “não reconhece que Deus tem o direito de ensiná-lo: ou, se reconhece tal direito, ele não se sente obrigado a crer em tudo o que Deus o ensina através daqueles que Deus escolheu para ensinar a humanidade. Ele diz para Deus: “Se tu me ensinas, eu reservo para mim o direito de examinar tuas palavras, explicá-las como eu quiser e aceitar somente o que a mim parecer verdadeiro, consistente e útil.” Então, Agostinho diz: “Aqueles que acreditam no que querem e rejeitam o que querem não creem no Evangelho, mas em si mesmos ou nas suas fantasias.”

A fé do protestante se baseia somente no seu juízo privado; ela é humana. “Como seu juízo é alterável”, diz o sr. Marshell, “ele naturalmente sustenta que a sua fé e doutrina se alteram conforme a sua vontade, mudando continuamente. Evidentemente, então, ele não sustentará que ela seja a verdade; pois a verdade nunca muda; do mesmo modo, ele não sustentará que ela seja a lei de Deus, que ele e os demais são obrigados a obedecer; pois se a lei de Deus mudasse conforme a vontade, ela só poderia ser mudada pelo próprio Deus, jamais pelo homem, por nenhum dos homens ou por nenhuma criatura de Deus.”


Por Padre Michael Müller C.Ss.R. (1825-1899), do capítulo terceiro de seu livro The Catholic Dogma.

 

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