O controle de natalidade é uma solução ou um problema?

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Ilustríssimo senhor, sempre existiu no mundo a tendência de controlar a taxa de natalidade por motivos militares (como em Esparta) ou econômicos (como na Inglaterra e outros países ocidentais), mas – como o senhor mesmo observou – os recursos existem, eles estão aí, o problema é a má distribuição dos bens. Mas por que existe a má distribuição dos bens? A causa da má distribuição dos bens é sobretudo a avareza dos ricos e a vida desregrada dos pobres. Logo se vê que a causa principal de nossas calamidades são os nossos pecados e não uma fatalidade do destino: quem não se perde em abstrações vazias, mas olha para a realidade tal como ela é, percebe nitidamente que de um lado se tem a ganância sem freios dos poderosos e de outro as paixões sem freios dos pobres, e, como se elas já não fossem o suficiente, no meio se tem os políticos favorecendo tanto uma quanto a outra. [ P.S. De fato, a esquerda e a direita não existem senão para isso mesmo: favorecer os vícios de todas as classes, destruir a concórdia, enfraquecer a nação.]

Então, a realidade mostra que esses nossos pecados são maus para todos e não há qualquer motivo para defendê-los, eles ferem a lei da razão (a medida certa das coisas) e da natureza (o fim das coisas), destruindo o bem comum. Partindo dessa constatação, digo que se um remédio sugerido para o problema econômico consiste em efetuar um outro tipo de pecado, então é claro que esse remédio, em vez de melhorar a situação, somente vai piorá-la. No caso do controle de natalidade, a solução sugerida é fazer com que as pessoas se limitem a ter relações sexuais por prazer somente, excluindo a possibilidade de reprodução.

O fato manifesto porém é que, queira o homem ou não, o fim de todo ato sexual continua sendo a reprodução e, se a razão exige que se tenha menos filhos, então ela requer de nós a castidade e não a nulificação do fim do órgão reprodutor, que não foi feito senão para isso. Muitos vão dizer que não é assim, mas eu não vejo motivo algum para pensar diferente. Honestamente, sei que sempre somos indulgentes com nossos desejos, nós nos identificamos com eles e dificilmente temos a lúcida impressão de que estamos nos deixando arrastar pelo absurdo. Todavia esse comportamento descontrolado é próprio do ser infantil e não cabe ao homem maduro, que sabe que os seus desejos não são a regra da realidade. Quem pensa claro, verá que o sexo unicamente por prazer é tão irracional como comer unicamente por prazer, não há qualquer fundamento em fazer uma ou outra coisa. Assim como o fim da alimentação é a nutrição do corpo, o fim do sexo é a reprodução do mesmo. Não há mistério algum nisso, trata-se de biologia básica, simples observação da natureza e obediência aos fatos.

É evidente que, não sendo esse comportamento de controle de natalidade uma coisa natural, ele consequentemente será a causa de problemas, tais como doenças, fraqueza, desintegração social e egoísmo. Todas essas coisas nós mesmos já temos visto entre os povos “civilizados” que, apesar do nome, são notáveis pela falta de fundamento racional em quase tudo o que tem feito ultimamente. De fato, não são precisamente esses os problemas que tem florescido nos países onde reina o controle de natalidade?

Certamente poucos homens estarão dispostos a aceitar viver em perpétua castidade pelo bem dos filhos que já possuem, o que é mais um sinal de que a “nobreza” e “altruísmo” dos que “renunciam” a ter mais filhos por motivos econômicos é em grande parte ilusória e pecaminosa. Quem não está disposto a esse grande sacrifício, deve ao menos – assim dita a razão – estar disposto a fazer um sacrifício menor, mas também ele muito meritório: ter quantos filhos Deus quiser e educá-los de forma exemplar.

Também note o senhor que muito desses pais pobres que não são capazes de educar seus filhos são muito capazes de passar irresponsavelmente parte da semana em bares e cassinos. Eles são capazes de gastar muito do pouco que ganham em bebedeiras e jogos de azar, isso para não falar de outras coisas altamente desonestas. A solução é que eles se endireitem e se comportem como homens de verdade. Se esses homens fossem religiosos, seriam capazes de educar seus filhos pelo exemplo, ganhariam mais dinheiro e poderiam até ajudar os outros; mas eles preferem viver na bagunça, porque hoje em dia ser vagabundo é ser civilizado.

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