GLOSSÁRIO

Existem alguns conceitos fundamentais com os quais deve o leitor estar familiarizado a fim de bem compreender os artigos deste site. Esses conceitos, ou pelo menos parte deles, estão reunidos abaixo para o seu melhor esclarecimento. Junto deles também estão indicações de leitura que explicam e aprofundam sua compreensão. O leitor pode usá-las como um roteiro de estudos.

DISTRIBUTISMO. Doutrina econômica baseada no princípio de propriedade bem-distribuída. Segundo essa doutrina, os meios de produção de riqueza devem estar nas mãos do maior número de famílias possíveis, favorecendo a predominância do proprietário pequeno e livre sobre o simples assalariado e o grande capitalista. A melhor distribuição da propriedade será obtida quando as famílias e o Estado trabalharem pelo estabelecimento de leis de proteção que favoreçam o pequeno negócio familiar sobre as grandes redes e empresas (exemplo: mediante cobrança de tacas diferenciais), como também pelo estabelecimento de corporações de ofício que agrupem os proprietários independentes em instituições responsáveis pela salvaguarda e promoção dos interesses de sua classe (algo semelhante às associações regionais de médicos, advogados e engenheiros). Esses sistema visa proteger as famílias tanto contra o monopólio por parte de algumas famílias (plutocratas) quanto contra o monopólio estatal (burocratas). Em suma, esse sistema é rival tanto do capitalismo quanto do comunismo, pois ambos são inimigos da liberdade econômica e ferem o bem comum. O distributismo está em harmonia com a doutrina social da Igreja e seus princípios estão presentes na Rerum Novarum de Leão XIII (15 mai. 1891) e Quadragesimo Anno de Pio XI (15 mai. 1931).

JUDAÍSMO. Sinônimo de FARISAÍSMO ou TALMUDISMO. “O farisaísmo se tornou o talmudismo, o talmudismo se tornou o rabisnimo medieval e o rabinismo medieval se tornou o rabinismo moderno. Mas perpassando essas mudanças de nome… o espírito dos antigos fariseus sobrevive inalterado.” (Rabino Louis Finkelstein, The Pharisees…, p. XXI). A máxima autoridade do judaísmo não é a Torá (os cinco primeiros livros da Bíblia), mas o Talmude, um conjunto de livros compostos pelos rabinos depois da vinda de Cristo. Ele começou propriamente depois da destruição do Templo de Jerusalém em 70 d.C., portanto, o judaísmo é uma religião que nasceu depois do Cristianismo. Baeado no Talmude, essa religião ensina doutrinas contrárias à razão e ao bem comum, dentre as quais estão o racismo, o messianismo (comunismo), o dinheirismo (capitalismo), o direito de mentir e maltratar o próximo e a permissão da quebra de juramentos mediante a recitação anual do Kol Nidre. Assim fica evidente que o judaísmo não é uma religião de origem divina, mas sim uma opinião bem perigosa inclusive para os próprios judeus. A prática do judaísmo é considerada pecado mortal, a Igreja reza e milita pela conversão dos judeus, pois, como se vê bem pelos frutos, a sua incredulidade no Messias somente lhes prejudica e afasta de Deus.

MODERNISMO. É uma tentativa de remodelar o Cristianismo dentro das linhas de uma filosofia racionalista, especialmente aquela de Kant, e do falso misticismo. O Modernismo contém três erros fundamentais: (a) A existência de Deus, a imortalidade da alma e a existência da revelação, em suma, tudo o que não for matéria de experiência pessoal não pode ser conhecido de certeza pela razão – agnosticismo; (b) A Sagrada Escritura e a Tradição não contém revelações de Deus para o homem, mas apenas exprimem os sentimentos e experiências de pessoas ou comunidades de uma sensibilidade privilegiada – imanentismo; (c) Cristo não fundou uma Igreja com uma constituição divina com dogmas e padrões morais imutáveis, mas esses são o resultado de uma gradual evolução, a qual deve continuar a se desenvolver e dar lugar a outros na medida que as circunstâncias mudem – evolucionismo ou progressismo. O Modernismo foi exposto e condenado pelo Papa São Pio X na Encíclica Pascendi Dominici Gregis (8 set. 1907) e no Decreto Lamentabili Sane (3 jul. 1907). O Modernismo foi chamado pelo Papa de “compêndio de todas as heresias”, pois essas três doutrinas permitem elevar qualquer doutrina pessoal ao nível de revelação divina e rebaixar qualquer revelação divina ao nível de uma doutrina pessoal. O termo é muito adequado enquanto exprime a tendência ou espírito do movimento em geral, isto é, a tendência de pôr as coisas modernas acima das coisas eternas, como se as últimas estivessem subordinadas às primeiras e não o contrário. (Cf. LAUX, John. Church History: A History of the Catholic Church to 1940 (English Edition). Charlotte-NC: TAN Books, 2012 [Kindle].)

NOVUS ORDO. Temo latino que significa Novo Rito. As reformas iniciadas logo após o encerramento do Vaticano II resultaram em uma revolução litúrgica sem precedentes. O culto católico foi remodelado de acordo com critérios modernistas de modo a expressar a nova fé sustentada pelas inovações doutrinais do Vaticano II. A nova liturgia é a marca registrada da nova religião criada pelo cisma conciliar. Ela também permite distinguir com facilidade o católico autêntico, que recusa a ter parte nesse sacrilégio, do católico afetado em algum grau pelo modernismo. Por essa razão, costuma-se referir à religião conciliar de um modo geral como Novus Ordo, designando por esse termo todos os seus adeptos e todas as suas inovações incluindo seus novos padres, bispos, papas, sacramentos, leis e costumes, em suma, tudo o que foi estabelecido por essa versão nova e falsificada do Catolicismo de sempre.

NOVUS ORDO vs. TRADIÇÃO. Novus Ordo é algo que um dia foi católico e que por isso mesmo lembra o Catolicismo de algum modo, mas é também algo que vai se distanciando dele na medida que continua em cisma com a única verdadeira Igreja Católica, rejeitando suas doutrinas e práticas perenes. Novus Ordo é uma rebelião contra o Catolicismo operada desde dentro de instituições nominalmente católicas (igrejas, universidades, congregações etc.). O Catolicismo de verdade é simplesmente Catolicismo, sem qualquer qualificações. Porém, por oposição ao Catolicismo Novus Ordo, muitos o chamam hoje de Catolicismo Tradicional. Todavia não se trata de um Catolicismo de “antes do Concílio”, mas apenas do Catolicismo que é o mesmo ontem, hoje e amanhã. O Catolicismo é o Evangelho, o Reino de Deus sobre a Terra, o Corpo Místico de Jesus Cristo conforme ensinado por Pio XII e tantos outros papas.

PROTESTANTISMO. Por mais vago e indefinido que possa ser o credo do protestante individual, ele sempre se baseia em alguns princípios fundamentais, todos possuindo uma opinião essencialmente comum sobre as fontes da fé, o meio de justificação e a constituição da Igreja. Philip Schaff, uma reconhecida autoridade protestante (em “The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge”, v. Reformation), resume os princípios do protestantismo da seguinte maneira:

O protestante busca instrução diretamente na Palavra de Deus, e procura o trono da graça em suas devoções; ao passo que o católico romano consulta o ensinamento de sua igreja, e prefere oferecer suas orações através da Virgem Maria e dos Santos.

Desse princípio geral da liberdade evangélica, e da relação direta do crente com Cristo, procedem as três doutrinas fundamentais do protestantismo – a supremacia absoluta (1) da Palavra, (2) da graça de Cristo e (3) do sacerdócio geral dos crentes.

(Wilhelm, J. Protestantism. In The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company, 1911. Disponível em: <http://www.newadvent.org/cathen/12495a.htm>. Acesso em: 17 jun. 2017.)

SEDEVACANTISMO. É a posição dos católicos que não reconhecem Jorge Bergoglio como verdadeiro papa da Igreja Católica. Os sedevacantistas afirma que a Sé de Pedro está vacante em razão da apostasia da fé da hierarquia oficial depois da promulgação dos documentos do Concílio Vaticano II. O raciocínio sedevacantista é simples e os fatos sobre os quais ele ele baseia são empiricamente constatáveis. Comparando os ensinamentos da Igreja antes e depois do Vaticano II, nota-se que houve uma mudança substancial na doutrina católica. Mas a Igreja Católica não pode sofrer uma mudança substancial em sua doutrina, porque ela goza de especial assistência do Espírito Santo que a torna infalível em questões de fé e moral e, por conseguinte, indefectível, ou seja, a Igreja permanecerá a mesma em seus elementos essenciais até o fim do mundo. De fato, a infalibilidade e a indefectibilidade da Igreja Católica são verdades de fé, o que significa que se alguém nega suas prerrogativas, deixa de ser católico. Portanto, a única conclusão possível é que a hierarquia responsável pela ruptura doutrinal do Concílio Vaticano II carece de autoridade eclesiástica. Aplicando este princípio ao Papa, isso significa que não há Papa, ou seja, que a sede está vacante. Donde o termo sedevacantismo.

VATICANO II. Foi um Concílio Ecumênico realizado entre 1962 e 1965 na cidade do Vaticano. Ele foi convocado por João XXIII e encerrado por Paulo VI. O Concílio se distinguiu dos demais por duas características bem marcantes: (a) ele não condenou nenhum erro, pois o seu objetivo era somente reapresentar a doutrina católica ao mundo moderno; (b) ele contou com a observação e colaboração de membros de outras religiões, os quais exerceram grande influência na elaboração das propostas e mesmo na redação dos documentos e execução das reformas posteriores ao mesmo. Ora, a combinação dessas duas características fez do Vaticano II um Concílio Ecumênico cismático e herético. Com efeito, o Vaticano II foi cismático porque ensinou uma série de erros mantidos por outras religiões como se eles fizessem parte do patrimônio doutrinal da Igreja Católica. Ele também foi herético pelo fato de nenhum católico possuir o direito de acrescentar ou tirar qualquer coisa do depósito da Fé, ou seja, ninguém pode professar heresia publicamente sem incorrer em crime de heresia. Quando toca ao Papa, bispos e padres esse ato produz a perda imediata do cargo eclesiástico que eles ocupam, pois a profissão de heresia é entendida pela Igreja como renúncia tácita ao cargo possuído (cân. 188 §4). Portanto, o Vaticano II não pode ser contado como um Concílio Ecumênico da Igreja Católica e seus adeptos não podem ser tidos como membros da hierarquia católica. Eles romperam com os católicos fiéis que sempre professaram a mesma Fé e que a seguiram professando antes, durante e depois da realização do Vaticano II.